Um tema que vinha sendo tratado como um fator de despreocupação, hoje em dia está sendo levado muito a sério, a ÁGUA. Quando observa-se um rio como o Pardo ou Jacuí, não se tem idéia de todo processo de formação dele, e um dos principais são as nascentes.
O Brasil é um país rico em recursos naturais e, na maioria das propriedades agrícolas há possibilidade de encontrar-se nascentes. As nascentes são pontos de afloramento da água subterrânea na superfície do solo, a qual pode ter um regime de escoamento permanente, refletindo de forma clara, os efeitos do manejo praticado em sua área de recarga associado ao regime pluvial e a evaporação da água. Conforme código florestal de 1965, um raio de 50 metros envolta da nascente é considerado área de preservação permanente.
As nascentes podem ser pontuais e difusas. As pontuais são nascentes normalmente com algum indício de fluxo de água em um único ponto do terreno, que geralmente são encontradas em grotas e no alto de serra. As difusas são nascentes onde tem fluxos d'água em vários pontos do terreno, apresentando outros olhos d'água, tendo ocorrência de brejos, voçorocas e matas replantadas em baixa altitude.
Uma proteção de fonte é importante para que a água proveniente da nascente sofra um processo de filtração, para posteriormente ser armazenadas em um reservatório e passar pelo processo de desinfecção, estando livre dos microrganismos patogênicos e podendo ser consumida com melhor qualidade, não oferecendo riscos à saúde de quem a consome.
Segundo o Site da Prefeitura Municipal de Caxias do Sul (www.caxias.rs.gov.br), as etapas para se fazer uma proteção de fonte são nesta ordem:
» Realizar uma limpeza nos arredores e na nascente, retirando-se folhas, raízes e lama, até que se encontre terra firme;
» Ao localizar a vertente, levanta-se uma mureta de tijolos com aproximadamente 50cm de altura, colocando nesta mureta três canos, em alturas diferentes;
» Um pedaço de cano de PVC de 1/2” com tampa removível, acima da 1ª camada de tijolos, que será utilizado para realizar a limpeza da fonte, esporadicamente;
» Um pedaço de cano de PVC de 1/2”, acima da 2ª camada de tijolos, que será utilizada para coleta de água;
» Um pedaço de cano de PVC de 1/2”, entre a última e a penúltima camada de tijolos, que será o ladrão.
» Preenche-se a área da fonte com pedras e britas (lavadas previamente) na seguinte sequência:
» Uma camada de brita rente ao solo;
» Uma camada de pedras menores;
» Finalizando com uma camada de pedras grandes, até atingir a altura da mureta
» Cobre-se com uma lona plástica preta dupla e coloca-se sobre a mesma terra e grama, deixando que a natureza se recomponha.
» Após passar pela proteção, a água deverá ser direcionada à um recipiente, geralmente é utilizado uma caixa d'água, onde esta será armazenado para posteriormente consumo.
Para conservar a nascente sempre apta ao consumo, deve-se realizar o esgotamento esporadicamente da mesma, deixando toda a água sair de 3 a 4 vezes, até perceber que a água está saindo límpida. Após esta verificação, deve-se fechar o cano que está sendo utilizado para o esgotamento e deixar novamente a água encher a caixa d´água.
Medida muito importante para a preservação e conservação de nascentes, são as matas ciliares ao seu redor, cujas conseguem reter o solo, absorvem a água das chuvas, e filtram possíveis contaminantes que iriam para os lençóis freáticos. Essas matas ciliares devem ser preferencialmente de caráter nativo da região, uma vez que se adaptam melhor as condições do clima. Como citado acima, deve-se obedecer um raio de 50m com mata ao redor da nascente. Outra medida importante de proteção às nascentes, é a preservação das APP´s (área de preservação permanente), junto aos topos das montanhas, pois são elas uma das principais responsáveis pela qualidade das nascentes. Se elas não existissem, ocasionaria um “carregamento” de minerais e substâncias indesejadas em maior número até as nascentes. A água não acabará, mas sim perderá consideravelmente sua qualidade, então vamos conservar as nascentes para que isso não ocorra.
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