Derretimento das geleiras, o mar está subindo, secas prolongadas, desertos avançam, correntes marítimas alteradas, ciclones com maior frequência e intensidades. Em meio à notícias, debates e teorias sobre as causas e consequências do aquecimento global, muito se fala, mas pouco se sabe sobre a veracidade das informações. Criam-se soluções “salvadoras” para remediar os efeitos devastadores que estão sendo projetados para um futuro não tão distante. O que é verdade e o que é mentira?
É necessário esclarecer a princípio alguns pontos:
A Antártica reúne cerca de 90% de todo o gelo da Terra e, segundo projeções do IPCC (sigla em inglês para “Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática”), se todo este gelo fosse derretido o mar subiria 60 metros. É preocupante também o derretimento das geleiras montanhosas, a água que desce das montanhas contribui para aumentar o nível do mar.
No entanto, apesar do derretimento das geleiras que ocorrerem no Pólo Norte e no Pólo Sul, apenas o derretimento das camadas de gelo da Antártica afetam diretamente no aumento do nível dos oceanos, pois no ártico as geleiras não estão sobre um continente, ou seja, o peso dos icebergs já está balanceado com o nível dos oceanos, não influindo no acréscimo do nível dos mares. Um exemplo disto é observar cubos de gelo derretendo em um copo, o nível da água continuará a ser o mesmo antes e após o derretimento dos cubinhos.
Mesmo assim, apesar de não ter uma relação direta na elevação do nível dos oceanos, afetaria drasticamente o micro clima do Pólo Norte ao Alasca, pois o ritmo do aquecimento é duas vezes mais rápido nos pólos que na linha do Equador, criando um risco de extinção de várias espécies da fauna e flora desta região. Segundo cientistas, a primeira “grande” vítima, poderá ser o urso polar, devido à sua estreita dependência em relação à cobertura de gelo em seu ciclo de vida, tanto para caçar focas quanto para sua procriação, hoje em dia eles necessitam nadar distâncias muito longas e acabam se afogando. Já é constatada uma redução de 20% na população de ursos polares.
Outras espécies, não consideras tão “vistosas e simpáticas” quanto os ursos polares, já estão em extinção ou em processo de extermínio, e a população em geral não se sente tão revoltada com essa situação. É o caso de mais 70 espécies de rãs, a maioria moradora das montanhas e que não tinham para onde se refugiar do calor crescente, estando agora presentes apenas em antigos livros de biologia. Segundo pesquisadores entre 100 e 200 outras espécies dependem de baixas temperaturas para sobreviver, estando todas seriamente ameaçadas de extinção. O clima está mudando tão rápido que não está dando tempo para as espécies se adaptarem.
Mesmo o nível do oceanos subindo, o crescimento e o surgimento de desertos e zonas áridas se torna cada vez mais comuns. Altas temperaturas colocam várias espécies em ritmo de extinção, principalmente em florestas tropicais, como a Amazônia, como vimos nos telejornais diariamente: os leitos de seu rios secando, seus peixes morrendo e a geração de anciões das populações ribeirinhas abismados e perplexos por nunca ter ouvido falar ou sentido tamanha seca. A isto, soma-se ainda o desmatamento, criando um cenário não apenas de bolsões, mas como grandes áreas de deserto. Até regiões consideradas até ontem como pertencentes a um clima temperado, sofrem fortes ondas de calor, provocando até mortes em crianças e idosos.
O aumento da temperatura não é relatado apenas nos pólos ou nas florestas mas nas águas também, ocorrendo assim evaporação das águas dos oceanos, potencializando catástrofes como o aumento de furacões, como o trágico Katrina. Pela primeira vez foi constatado um furacão no AtlânticoSul, pondo a cidade de Torres e toda aquela região litorânea do sul do Brasil em estado de emergência.
A elevação da temperatura das águas dos oceanos pode causar transformações também no habitat marinho. Considerado por cientistas como um gigante termômetro natural, a Grande Barreira de Corais, que se estende por dois mil quilômetros na costa leste da Austrália, está entrando em colapso, isso devido à sua sensibilidade à alterações como temperatura, elevando-se um grau, torna-se visível o processo de branqueamento e morte de toda esta “floresta” sub-aquática, levando um gigantesco, porém delicado ecossistema ao colapso. Pois se os corais morrerem, também morrerá uma cadeia de outros invertebrados e espécies que se alimentam deles, causando uma reação em cadeia sem precedentes, gerando um desequilíbrio em todo ecossistema marinho. E a evidência contundente que este branqueamento advém de uma causa global, e não localizada, é a verificação da ocorrência desse fenômeno, de origem antrópica, em quase todos os corais do mundo, inclusive atóis e ilhas remotas do planeta, desabitadas e sem interferência direta do homem.
A dúvida que podia existir no passado quanto a influência do homem neste, quanto em outros processos que caracterizam o superaquecimento global, já foi por água abaixo. Está cientificamente provado que a concentração de gases poluentes, como o gás carbônico, causadores do problema, estão estreita e diretamente relacionados com a elevação das temperaturas no globo. As únicas dúvidas agora são quando a população e os líderes mundiais se conscientizarão da necessidade de mudar seus hábitos e atitudes, ou senão terão que enfrentar seu clima e habitat alterados. Apesar dos maiores responsáveis serem os países desenvolvidos, os mais afetados serão os países pobres, sofrendo de estiagens, secas e inundações principalmente, isto devido à sua falta de infra estrutura e investimentos necessários.
O problema é global e está interligado, mas deveríamos vê-lo de forma pragmática, desmembrando-o em problemas menores, tornando-os mais fáceis de serem solucionados. Se cada um fizer sua parte e cobrarmos de nossos líderes, talvez a mudança, que já é certa, não seja tão grande. Esquece-se o princípio básico: não poluir para não remediar. Até mesmo porque tentar remediar talvez neste caso seja tarde demais.
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