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"A água é um
recurso finito e fator competitivo do mercado. Seu
uso eficiente torna-se mais importante que ostentar
sua abundância". (REBOUÇAS, 2001)
Um dos elementos que enriquece a discussão sobre Água
e Saúde, a partir da Perspectiva Geográfica,
refere-se à progressiva adoção de
abordagens sistêmicas, complexas e dinâmicas
para o tratamento das questões sócioambientais
enfocando a explicação dos eventos em um
contexto espaço-temporal definido, como por exemplo
a bacia hidrográfica.
Distintos autores ressaltam o importante papel dos Geógrafos
nos estudos que buscam minorar as conseqüências
da especulação imobiliária urbana
e rural, da degradação ambiental e do isolamento
de amplos contingentes populacionais, completamente à margem
de equipamentos coletivos como saneamento básico,
transporte, rede de ensino, serviços de saúde,
entre outros. O comprometimento da qualidade de vida
dessas populações as torna vulneráveis
a vários tipos de agravo, desde aspectos ligados à violência
rural e urbana, passando por situações
determinadas pelo baixo nível de instrução,
condições objetivas de perigo por residirem
em áreas consideradas “de risco”,
até às dificuldades de sanarem pequenos
problemas de saúde que se potencializam frente à falta
de assistência. (CARVALHO et.al., 1997; MINAYO,
2002). Temos aí importantes campos para atuação
de uma equipe interdisciplinar e multidisciplinar que,
em sua atividade, terá a responsabilidade de tornar
o território conhecido em vários de seus
aspectos, investigando a história da população
sob responsabilidade do serviço ou da rede de
serviços de sanidade; as formas de uso e ocupação
do solo e dos recursos naturais, entre eles, a água,
bem indispensável à vida.
Na concepção mais atualizada de gestão
do território e dos espaços públicos,
esse processo pode ser conduzido com a participação
de diferentes áreas do conhecimento e outros setores;
no caso do município entre diferentes secretarias
(saúde, obras públicas, assistência
social, planejamento, etc.) de forma a tornar mais consistente
tanto o diagnóstico como o encaminhamento de soluções,
pela abrangência que tomam as ações
na área da saúde integral da população:
um campo de saberes e práticas que se constitui
pela articulação de várias áreas
e disciplinas, expressando-se através de modelos
de atenção, organização de
sistemas e estratégias de planejamento, gestão,
educação, supervisão, avaliação,
diagnóstico, entre outros. Neste campo, a Geografia
tem lugar importante na medida em que atua na organização
da vida humana através da conjugação
entre cultura e natureza, balisando-a na noção
de território. Seu instrumental teórico-metodológico é valioso
para compreender uma série de fenômenos
que dizem respeito à saúde e qualidade
de vida das populações e, conseqüentemente,
como definir os meios de alterar realidades adversas
(BRINCKMANN, 2005).
No caso específico da saúde, um aspecto
importante observado por muitos estudos principalmente
em populações de baixa renda das áreas
rurais e dos centros urbanos é o do desenraizamento,
que produz núcleos populacionais em que os elos
de identidade cultural já não são
mais constituídos pelos elementos simbólicos
de origem de seus habitantes. Estes, estão dissolvidos
em favor da estruturação de estratégias
de sobrevivência que produzem novos laços,
aspectos importantes a ser investigados de forma a reduzir
a margem de incerteza na organização das
ações em saúde porque, “a
promoção da saúde consiste em proporcionar às
pessoas os meios necessários para melhorar sua
saúde e exercer um maior controle sobre a mesma”.
(Carta de Ottawa, 1986). Os riscos para a saúde
relacionados à utilização da água
se dividem em duas categorias:
1) Riscos relacionados com a ingestão de água
contaminada por agentes biológicos (bactérias,
vírus e parasitas), através de contato
direto, ou por meio de insetos vetores que necessitam
da água em seu ciclo biológico;
2) Riscos derivados de poluentes químicos e radioativos,
geralmente efluentes de esgotos industriais, ou causados
por acidentes ambientais.
Os principais agentes biológicos encontrados nas águas
contaminadas são as bactérias patogênicas,
os vírus e os parasitas. As bactérias patogênicas
encontradas na água e/ou alimentos constituem
uma das principais fontes de morbidade e mortalidade
em nosso meio. São responsáveis por numerosos
casos de enterites, diarréias infantis e doenças
epidêmicas (como o cólera e a febre tifóide),
que podem resultar em casos letais.
Ameaçada pela poluição, pela contaminação
e pelas alterações climáticas que
o ser humano vem provocando, a degradação
ambiental da água representa um grande perigo
para a saúde e o bem-estar do homem, sendo apontada
pela Organização Mundial de Saúde
(2000) como importante ameaça ao desenvolvimento
econômico.
De acordo com o relatório “Situação
Global de Suprimento de Água e Saneamento - 2000”,
apesar do tremendo esforço nas duas últimas
décadas para melhorar os serviços de abastecimento
de água e saneamento nas regiões mais pobres
dos países em desenvolvimento, muita gente ainda
não foi beneficiada. hoje, 2,4 bilhões
de pessoas em todo o mundo (quase a metade da população
do planeta) não vivem com condições
aceitáveis de saneamento, enquanto 1,1 bilhão
de pessoas não têm sequer acesso a um adequado
abastecimento de água. O documento, concluído
em novembro de 2000, resulta do Programa de Monitoramento
do Suprimento de Água e Saneamento, uma iniciativa
conjunta da OMS e da Unicef. (www.who.int/inf-pr-2000/en/pr2000-73.html).
Diante deste quadro, a Organização Mundial
da Saúde (OMS, 2000) e seus países membros,
destacam que a água tem influência direta
sobre a saúde, a qualidade de vida e o desenvolvimento
do ser humano, tanto é assim, que para “todas
as pessoas, em quaisquer estágios de desenvolvimento
e condições sócio-econômicas
têm o direito de ter acesso a um suprimento adequado
de água potável e segura”.
“Segura”, neste contexto, refere-se a uma
oferta de água que não representa um risco
significativo à saúde, que é de
quantidade suficiente para atender a todas as necessidades
domésticas, que está disponível
continuamente e que tenha um custo acessível.
Estas condições podem ser resumidas em
cinco palavras-chave: qualidade, quantidade, continuidade,
cobertura e custo. Se o objetivo é melhorar a
saúde pública é vital que tais condições
sejam consideradas como um todo no momento de se definir
e manter programas de qualidade e abastecimento de água.
Ainda assim, a prioridade será sempre, providenciar
e garantir o acesso de toda a população
a alguma forma de suprimento de água.
Referências
e dicas para leitura:
- Água e Saúde”, “A Desinfecção
da Água”, “A proteção
das captações”, “Vazamentos
e medidores”, folhetos da série “Autoridades
Locais, Saúde e Ambiente”, editados pela
OPAS. <www.cepis.ops-oms.org>, 2000.
- BRANCO,
Samuel Murgel. Água, Origem, Uso e Preservação,
Editora Moderna,1996.
- BRINCKMANN, W. E.(2005). Paradigmas
de la gestión de águas em España
y Brasil. Estúdio Comparativo. Tesis doctoral.
Programa de Doctorado Paisaje, Território y
Medio Ambiente. Universidad de Murcia, Murcia, Espana.
636p.
- CARVALHO, Marília Sá, CRUZ, Oswaldo
Gonçalves (1997). Análise espacial por
microáreas: métodos e experiências.
In: BARATA, Rita Barradas; BARRETO, Maurício
Lima; ALMEIDA FILHO, Naomar; VERAS, Renato Peixoto
(Orgs., 1997). Epidemiologia: contextos e pluralidade.
. Rio de Janeiro: ABRASCO – Série Epidemiológica
4. p. 79-89.
- CORVALAN, Carlos (2005). Saúde
e Ecossistemas na Avaliação Ecossistêmica
do Milênio. Departamento de Proteção
do Meio Ambiente Humano. Organização
Mundial da Saúde - World Health Organization – Genebra.
Brasília, 30 Março, 2005.
- Informações
sobre doenças infecciosas são encontradas
no endereço
<www.who.int/home/map_ht.html#Diseases:%20Communicable/Infectious>.
- Informações sobre doenças tropicais
e doenças preveníveis por meio de vacina.
<www.who.int/home/map_ht.html#Tropical%20Diseases>.
- MINAYO, M.C.S. & Miranda, A (Orgs., 2002). Saúde
e ambiente sustentável: estreitando nós.
Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.
- REBOUÇAS,
Aldo. Água e desenvolvimento Rural. Estud. av.
vol.15 no.43 São Paulo Sept./Dec. 2001.
- Programa
de Monitoramento do Suprimento de Água e Saneamento,
uma iniciativa conjunta da OMS e da Unicef. <www.who.int/inf-pr-2000/en/pr2000-73.html>
-
WWAP-UNESCO División de Ciencias del Agua (2006).
El agua,una responsabilidad compartida. 2 ° Informe
de las Naciones Unidas sobre el desarrollo de los recursos
hídricos en el mundo. In: <UN-WATER/WWAP/2006/3> y <www.unesco.org/water/wwap/index_es.shtml>.
- UNESCO. (2000). Declaración Ministerial de
Haya sobre seguridad hídrica en el siglo 21.
Foro Mundial del Agua. Haya, 22 de abril.
- UNESCO/WWAP.
(2003). Agua para Todos, Agua para la Vida - Informe
de las Naciones Unidas sobre el Desarrollo de los Recursos
Hídricos en el Mundo. UNESCO/Mundi-Prensa Libros.
Edición española. ISBN: 92-303881-5.
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