Núcleo de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo - Comitê Pardo

Boletim Informativo N.º 05/ Ano VII - Maio/2005

 

Carta escrita no ano 2070
Leonardo Flesch (leoflesch@yahoo.com.br)

Ano 2070, acabo de completar os 50 anos, mas a minha aparência é de alguém de 85. Tenho sérios problemas renais porque bebo pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade. Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas arvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro de cerca de uma hora. Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele. Antes todas as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras. Agora devemos raspar a cabeça para a mantê-la limpa sem água. Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que a água se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDEM DA ÁGUA, só que ninguém ligava pra isso; pensávamos que a água jamais podia acabar. Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes a quantidade de água indicada como ideal para uma pessoa beber diariamente eram oito copos por dia.Hoje posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar os poços sépticos (forças) como banheiro, exatamente como no século passado porque as redes de esgotos estão entupidas por falta de água. A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não tem a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera, imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados. As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte nos dias de hoje.A industria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te com água potável em vez de salário. Os assaltos por um litro de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Pela ressequida da pele uma jovem de 20 anos tem a aparência de 40. Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de arvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações. Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como conseqüência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações. O governo até nos cobra pelo ar despoluído que respiramos, 137 m³ por dia por habitante adulto é o que nos permitem. Acima disso, pagamos caro, às vezes com a própria vida. As pessoas que não podem pagar são retiradas das "zonas ventiladas", que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar. Não são de boa qualidade, mas pode-se respirar. A idade média de quem não pode pagar pelo ar das zonas ventiladas é de 35 anos. Em alguns países ficaram manchas da vegetarão com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exercito, a água tornou-se um tesouro muito cobiçado, mais do que o ouro ou os diamantes. Aqui não há arvores porque quase nunca chove, e quando chega a registra-se uma precipitação, é de chuva ácida; as estações do ano tem sido severamente transformadas em função da transformação do clima global. Erramos constantemente advertidos que devíamos cuidar do meio ambiente, mas fizemos pouco caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo a maravilha que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse, e de como as pessoas eram saudáveis. Ela pergunta-me: Mamãe! Porque se acabou a água? Então, sinto um nó na garganta; sinto uma imensa culpa porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente pôr não termos a consciência da preservação e do cuidado. Agora os nossos filhos pagam um preço alto pela nossa irresponsabilidade, e sinceramente creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco tempo, porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível. Como gostaria de voltar no tempo e fazer com que toda a humanidade compreendesse da importância de cuidarmos da natureza e da água. Devemos começar hoje, enquanto ainda ha tempo de fazermos algo para salvar o nosso planeta terra!

Fonte: Documento extraído da revista biográfica “Crônica de Los Tempos" de Março de 2005.

Que todos tenhamos um bom dia, e que nossos filhos e netos possam ter dias melhores que os nossos!!!!!!

 

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