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Núcleo
de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento
de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica
do Rio Pardo - Comitê Pardo
Boletim Informativo N.º 6/ Ano V - Junho/2003
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Consciência
sobre a importância da
preservação das Águas Subterrâneas
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Texto:
Dr. Gerson Fauth (gfauth@unisc.br)
Revisão: Valéria Borges Vaz (val@unisc.br)
e Ana Paula Machado (aninha_bio@hotmail.com) |
Durante o primeiro
semestre de 2002, a imprensa brasileira deu grande destaque
a um crime ambiental que havia sido descoberto recentemente.
Uma grande multinacional do setor petrolífero contaminou,
durante longos anos, o solo e o lençol freático
da região da Vila Carioca (zona sul do município
de São Paulo). A conseqüência dessa contaminação,
percebida apenas agora, foi catastrófica para um grande
número de famílias que ali viviam. Na análise
realizada com o sangue dos moradores da região, feita
pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
do Estado de São Paulo), verificou-se, que em boa parte
das amostras coletadas, os níveis de chumbo e níquel
estavam bem acima do normal. É muito provável
que, durante mais de 40 anos, a população dessa
localidade saciou a sua sede, pulverizou suas lavouras e usou
dessa água contaminada para fazer comida.
Esse é
um fato real que está acontecendo no maior centro industrial
do país. Entretanto, engana-se quem pensa que, os moradores
da zona rural estejam livres destas histórias. Mesmo
distante das grandes zonas industrializadas, essa população
também poderá sofrer as conseqüências
da poluição dos mananciais de águas subterrâneas.
A origem deste problema está, na maioria das vezes,
relacionada ao que ocorre na superfície da Terra, pois
são as águas superficiais que se infiltram no
solo e na rocha onde serão armazenadas posteriormente.
Portanto, a contaminação das águas subterrâneas
está intimamente relacionada à forma como a
água é usada e tratada quando ainda está
na superfície da Terra. Esta contaminação
provém de atividades agrícolas e urbanas, domésticas
e industriais.
Outras idéias
equivocadas são que águas subterrâneas
circulam como verdadeiros rios que fluem sob a terra e de
que toda água oriunda do subsolo é limpa e própria
para o consumo humano. Na verdade, a água oriunda da
superfície da Terra viaja por gravidade pelo interior
da Terra migrando pelos espaços microscópicos
existentes entre as partículas das rochas. As gotas
de água são armazenadas em uma rocha que ofereça
condições para tal, em um local de profundidade
variável. O tempo e a velocidade com que a água
viaja, ou tecnicamente falando, percola, para o interior da
Terra, até encontrar a rocha reservatório varia
de algumas horas a alguns meses. Tudo depende do tipo de rocha
em que ela está infiltrando e o volume de chuvas na
superfície. As principais rochas a proporcionar bom
transporte e armazenamento são as rochas sedimentares.
Estas rochas possuem bom volume de espaços vazios,
ou poros, que podem ser preenchidos por líquido, formando
assim os reservatórios de água (também
conhecidos por aqüíferos). Estes geralmente oferecem
água de boa qualidade, a custo baixo e muitas vezes
sem a necessidade de tratamento. Entretanto, hoje em dia,
para fazermos tal afirmação, é necessário
fazer algumas análises químicas.
As rochas sedimentares,
conhecidas como arenitos, são as predominantes na região
do Vale do Rio Pardo. Elas permitem que grandes volumes d'água
sejam armazenados, além de possibilitarem uma infiltração
relativamente rápida. A região de Santa Cruz
do Sul está inserida dentro da área de abrangência
do aqüífero Guarani, uma das maiores reservas
de água do planeta, abrangendo uma área 1,2
milhões de quilômetros quadrados. Desta maneira
é fácil explicar porque é tão
fácil e até mesmo, barato, fazer uso deste grande
manancial de água na região. Em outras regiões
localizadas na serra, e mais ao norte do município
de Santa Cruz do Sul, certamente o custo para encontrar esse
aqüífero são maiores, pois há uma
capa de rochas ígneas basálticas (Formação
Serra Geral) recobrindo boa parte do aqüífero.
No planeta Terra,
a água doce para o consumo humano é relativamente
restrita. Segundo a ONU, 97% das águas do mundo são
salinas e apenas 2,5% são doces. Deste total 1,7% fazem
parte dos aqüíferos e estão confinados
no interior da Terra, representando um excelente reservatório
natural para abastecer as cidades e os campos. Entretanto,
os governos deveriam ter um controle para que estes mananciais
não se tornem secos devido a super exploração.
Isso ocorrerá sempre que a água estiver sendo
bombeada mais rapidamente do que a natureza possa repor. Um
exemplo disso ocorre no aqüífero Ogallala ao noroeste
do estado do Texas. Durante os últimos cem anos este
aqüífero foi usado para abastecer cidades e irrigar
lavouras. Existem hoje aproximadamente 170 mil pontos de captação
d'água neste aqüífero que fornece milhões
de metros cúbicos de água anualmente. Devido
ao excessivo consumo e a baixa reposição de
água, o nível do lençol freático,
a linha d'água abaixo da qual encontra-se a água,
tornou-se 30m mais profunda, encarecendo cada vez mais a sua
retirada.
O aqüífero
Guarani, no Brasil, ainda encontra-se em situação
privilegiada, pois suas reservas, com 45 mil quilômetros
cúbicos, poderiam abastecer com água toda a
população mundial por alguns anos. Estima-se
que existam mais de dois mil poços perfurados com profundidades
entre 100 e 300 metros e algumas centenas de outros em domínios
confinados, com profundidades entre 500 e 2000 metros. Para
evitar a possibilidade de super exploração,
de contaminação e poluição de
suas águas, os governos do Brasil, Argentina, Paraguai
e Uruguai, países detentores do direito de exploração
desta fantástica reserva natural de água, estão
encaminhando projetos de lei para proteção deste
manancial.
Apesar de vivermos
em uma região do planeta com chuvas regulares e com
volumes de água abundantes, devemos admitir que não
temos um comportamento ético para retribuir esta generosidade
da natureza. A água que é diariamente a nós
presenteada pela natureza, é devolvida a ela na forma
de efluentes domésticos não tratados, fossas
sépticas, os lixiviados das lixeiras, e principalmente
os fertilizantes e pesticidas utilizados na agricultura. Este
tipo de poluição penetra no solo e atinge os
mananciais dos aqüíferos, poluindo-os através
da elevação da temperatura, aparecimento de
cor, sabor e odor. A sua recuperação, quando
possível, é lenta e cara. Devemos estar atentos
para que futuros casos como o da Vila Carioca não se
repitam e que estes aqüíferos continuem intocáveis,
pois nosso futuro depende de água potável.
Bibliografia:
Decifrando a Terra. 2000. Wilson Teixeira (ed.). USP.
Gestão
das Águas. 2000. Revista Ciência & Ambiente,
UFSM.
Understanding
Earth. 1998. Frank Press and Raymond Silver. Ed. Freeman
and Company.
COMITÊ
DE GERENCIAMENTO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO
PARDO - Comitê Pardo
NÚCLEO DE PESQUISA E EXTENSÃO EM GERENCIAMENTO
DE RECURSOS HÍDRICOS - UNISC Sede: Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC
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