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Núcleo de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo - Comitê Pardo

Boletim Informativo N.º 4/ Ano V - Abril/2003

 

A Gestão de Recursos Hídricos
e a Conservação de Solo e Água

 

Texto: Dionei Minuzzi Delevati (dionei@unisc.br]
Digitação: Igor Guilherme Kunrath (kunrathig@bol.com.br)

A manutenção da qualidade e da quantidade dos recursos hídricos de uma bacia tem muito a ver com a sua área rural, mais especificamente ao manejo de solo e água desta bacia. As conseqüências como assoreamento de rios, processos de eutrofização dos cursos de água tem relacionamento direto com o manejo agrícola.

O processo de erosão hídrica, principalmente em bacias hidrográficas de topografia acentuada, e com a exploração de sistemas agrícolas intensivos, apresentam uma grande perda de solo e sedimentos. Neste caso podem estar sendo carregados adsorvidos aos mesmos nutrientes como o fósforo, nitrogênio, ou mesmo compostos tóxicos resultantes da aplicação de agroquímicos.

Como exemplo, estudos sobre o material produzido em sistemas de criação de suínos é rico em nitrogênio, fósforo e potássio e seu material orgânico apresenta alta DBO5. São justamente o fósforo e a alta DBO que causam grandes impactos ao sistema aquático de superfície, sendo o fósforo o responsável pelo processo de eutrofização das águas e a DBO pela redução do oxigênio dissolvido (Merten, et al., 2002). Além da contaminação dos mananciais superficiais temos também a das águas subterrâneas.

As conseqüências podem ser o excessivo crescimento de algas e plantas reduzindo a disponibilidade de oxigênio dissolvido nas águas, afetando o ecossistema aquáticos.

Além deste fato a elevação dos níveis de nutrientes na água pode comprometer sua utilização para o abastecimento doméstico, devido as alterações no sabor e odor da água ou a toxinas liberadas pela floração de alguns tipos de algas (Merten, et al., 2002), podendo ser encontradas as algas como as cianoficias.

Este fato ocorre porque o processo de tratamento da água para o consumo humano tem alto custo, pois outros produtos químicos devem ser adicionados para que a água atinja o padrão de potabilidade. Estes problemas são mais acentuados em mananciais como lagos, barragens e açudes.

Segundo estudos de Lobo e Bes (2002), sobre a qualidade da água nas estações de coleta distribuídas ao longo da bacia do Rio Pardinho, apresentam níveis de moderadamente poluído até fortemente poluído. Dos cinco pontos coletados, apenas a nascente (em Gramado Xavier) foi a que apresentou os menores índices de poluição, os demais apresentaram níveis de criticamente a fortemente poluído. Estes fatos denotam a falta de conservação do solo na bacia, a poluição quase in natura pelo esgotamento sanitário das cidades que margeiam o Rio Pardinho .

Diante do constatado, temos que o correto manejo de solo é importante. Assim as ações como manutenção da cobertura vegetal, seja através do plantio ou da manutenção da vegetação, formação de barreiras físicas como terraços e cordões de vegetação, alteração do sistema de plantio para o cultivo mínimo ou plantio direto. De qualquer forma, a redução na perda de solo implica em maior fertilidade e na possibilidade da redução do uso de adubos solúveis.

A redução de agroquímicos e o manejo adequado de dejetos de animais, são também essenciais para reduzir os problemas de poluição da água. Assim resgate de tecnologias mais brandas, e menos intensivas e da compreensão das interações dos ecossistemas agrícolas são atitudes importantes para serem tomadas.

Outras ações como a manutenção das matas ciliares, a proteção de fontes, o não plantio em áreas impróprias, enfim são ações importantes na manutenção de um sistema agrícola que esteja integrado como o seu ecossistema.



Fonte: Introdução à Engenharia Ambiental , pg. 96

 

Bibliografia:
ALCAYGA, Eduardo Lobo. BES, Daniela. Estudo da qualidade da água da Bacia Hidrográfica do Rio Pardinho, RS, BRAZIL, utilizando diatomáceas eplilíticas como oraganismos bioindicadores. Mimeo, 2002.

Merten,, G., et al. Qualidade da água em bacias hidrográficas rurais: um desafio atual para a sobrevivência futura. Revista Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável. Porto Alegre. V. 3, n.4, out/dez 2002.


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