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Núcleo de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo - Comitê Pardo

Boletim Informativo N.º 08/ Ano IX - Agosto/2007

 

comitepardo Enrique Leff: “Precisamos de uma nova racionalidade.”
Fernanda Inês Lersch*
Acadêmica do curso de Engenharia Ambiental da UNISC, e bolsista do projeto da Coleta Seletiva e Sistema de Compostagem do Campus da UNISC.



Enrique Leff participará do III Seminário Estadual e VI Seminário Regional de Educação Ambiental, Saber Ambiental, como palestrante do tema: Educação Ambiental na América Latina no dia 16 de agosto, na Universidade de Santa Cruz do Sul. Leff é professor da Faculdade de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Políticas da Universidade do México.

Doutor em Economia do Desenvolvimento, também ambientalista, é considerado referência nos campos da Epistemologia Ambiental, Ecologia Política e Educação Ambiental. Autor de dezenas de livros publicados em diversos países da América Latina. Leff é coordenador do Escritório Das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) no México, e desde 1986 está á frente da Rede de Formação Ambiental para a América Latina e o Caribe no Pnuma.

O ambientalista Enrique Leff, afirma que o grande desafio socioambiental hoje é romper com a idéia de um pensamento único e unidimensional, orientado rumo a um “progresso sem limites” que vem reduzindo e superexplorando a natureza.

Nesta entrevista concedida a Senac & Educação Ambiental, Leff analisa as raízes da crise ambiental atual e os desafios epistemológicos (estudo crítico dos princípios, hipóteses e resultados das ciências já constituídas.) e filosóficos que a humanidade enfrenta para instituir uma nova racionalidade. E afirma: “ A mudança nunca vem de cima, mas de baixo, quando há uma autêntica mobilização social”.

Uma das perguntas que lhe foram feitas foi sobre quais são os grandes desafios ambientais do mundo moderno. E respondeu, que são muitos, entre eles, o aquecimento global, o abastecimento e uso racional de água e de todos os recursos naturais, o desmatamento, a perda de fertilidade das terras e erosão dos solos, a redução da biodiversidade cultural. Enfatiza que enfrentar esses desafios implica reverter um processo de degradação socioambiental gerados pelas formas de conhecimento que construímos sobre a natureza ao longo da história, o que desvalorizou a natureza, não lhe dando seu devido valor.

Para reverter esse quadro, deveríamos instituir uma nova racionalidade em que caibam as formas práticas culturais de valorização da natureza e sua diversidade, assim poderemos reconstruir um mundo com um novo encontro de racionalidades culturais diferenciadas, diz Leff. O grande desafio socioambiental hoje, é portanto, romper com a idéia de um pensamento unidimensional, orientando rumo a um “progresso sem limites”, que vem reduzindo, sufocando w superexplorando a natureza. E para isso não basta que sejam firmados acordos e convenções, mas sim deve haver um mudança de hábitos, de idéias.

Comitê PardoA revista pergunta a Leff se a luta por um desenvolvimento sustentável poderia ser uma resposta a esse gigantesco desafio? Ele responde que sim, mas antes de tudo, devemos lembrar que o desenvolvimento sustentável não é homogêneo, o que nos mostra que é para alguns, e não para todos. Isto deveria ser mudado, o desenvolvimento sustentável, para dar resultado, deverá ser aplicado a todos. O ainda percebe-se é uma grande resistência por parte das pessoas aos assuntos relacionados com o meio ambiente, apesar de toda crise que estamos vivendo. Leff diz, que talvez a mudança de hábitos se dê por contágio, mas afirma também que não é fácil contagiar o mundo com esse vírus.

A revista Senac e Educação Ambiental pergunta ao ambientalista como que faremos para combater os principais desafios do mundo moderno, se estamos vivendo em um mundo que está sobre os ditames da globalização econômica e da pasteurização cultural?Ele diz, que não existe uma fórmula pronta. O que podemos ver com isso, é que está sendo gerada resistências em distintos movimentos e atores sociais em níveis locais, que sofrem as consequências dos processos da degradação ambiental. O grande problema está no crescimento econômico, o que implica numa exploração cada vez maior dos recursos naturais,sem levar em conta as condições ecológicas do planeta, o que vem trazendo em escalas maiores, um processo de apropriação e consumo destrutivo da natureza.

Este texto foi extraído da entrrevista que Enrique Leef concedeu a
revista Senac e Educação Ambiental, por Claudia Guimarães.

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