Núcleo
de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento
de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica
do Rio Pardo - Comitê Pardo Boletim Informativo N.º 02/ Ano IX
- Fevereiro/2007
Geografia das águas e da
saúde no Brasil
Brinckmann,
Wanderleia E. (webrin@unisc.br) Profª do Departamento de História e Geografia
da UNISC, Doutora em Geografia pela Universidad de Murcia
- Espanha.
O Brasil é um país privilegiado no que diz respeito à quantidade de água. Sua distribuição, porém, não é uniforme em todo o território nacional.
O Brasil possui 18% da água doce disponível no mundo
14,4% na região amazônica
atende 5% da população
3,6% no resto do país
atende 95% da população
Fonte: Brinckmann, (2005, p.191).
A Amazônia, por exemplo, é uma região que detém a maior bacia fluvial do mundo. O volume d'água do rio Amazonas é o maior do globo, sendo considerado um rio essencial para o planeta. Essa é, também, uma das regiões menos habitadas do Brasil. Em contrapartida, as maiores concentrações populacionais do país encontram-se nas capitais, distantes dos grandes rios brasileiros, como o Amazonas, o São Francisco e o Paraná. E há ainda o Nordeste, onde a falta d'água por longos períodos tem contribuído para o abandono das terras e para a migração aos centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, agravando ainda mais o problema da escassez de água nessas cidades. (BRINCKMANN, 2005)
Os rios e lagos brasileiros vêm sendo comprometidos pela queda de qualidade da água disponível para captação e tratamento. Na Região Amazônica e no Pantanal, por exemplo, rios como o Madeira, o Cuiabá e o Paraguai apresentam contaminação pelo mercúrio, metal utilizado no garimpo clandestino. E nas grandes cidades esse comprometimento da qualidade é causado principalmente por despejos domésticos e industriais.
Se a bacia é ocupada por florestas nas condições naturais, essa água vai ter uma boa qualidade porque vai receber apenas folhas, alguns resíduos de decomposição de vegetais. É uma condição perfeitamente natural. Mas, se essa bacia começar a ser utilizada para a construção de casas, para implantação de indústrias, para plantações, então a água começará a receber outras substâncias além daquelas naturais, como, por exemplo o esgoto das casas e os resíduos tóxicos das indústrias e das substâncias químicas aplicadas nas plantações. Isso vai contribuir para que a água vá piorando de qualidade. Por isso ela deve ser protegida na fonte, na bacia. Essa água, depois, vai ser submetida a um tratamento para ser usada pela população. Mas, mesmo a estação de tratamento tem suas limitações. Ela retira com facilidade os produtos de uma floresta, de uma condição natural. Mas esgotos pioram muito, e a presença de substâncias tóxicas vai tornando esse tratamento cada vez mais caro. Acima de um certo limite, o tratamento nem mais é possível, porque existe uma limitação para a capacidade depuradora de uma estação de tratamento. Então, a água se torna totalmente imprestável. (BRANCO, 2000, p. 8) .
Esses problemas atingem também os principais rios e represas das cidades brasileiras, onde hoje vivem 75% da população.
Em Porto Alegre, o rio Guaíba está comprometido pelo lançamento de resíduos domésticos e industriais, além de sofrer as conseqüências do uso inadequado de agrotóxicos e fertilizantes.
Brasília, além de enfrentar a escassez de água, tem problemas com a poluição do lago Paranoá.
A ocupação urbana das áreas de mananciais do Alto Iguaçu compromete a qualidade das águas para abastecimento de Curitiba.
O rio Paraíba do Sul, além de abastecer a região metropolitana do Rio de Janeiro, é manancial de outras importantes cidades de São Paulo e Minas Gerais, onde são graves os problemas devido ao garimpo, à erosão, aos desmatamentos e aos esgotos.
Belo Horizonte já perdeu um manancial para abastecimento - a lagoa da Pampulha - que precisou ser substituído pelos rios Serra Azul e Manso, mais distantes do centro de consumo. Também no rio Doce, que atravessa os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, a extração de ouro, o desmatamento e o mau uso do solo agrícola provocam prejuízos enormes à qualidade de suas águas.
O Estado de São Paulo sofre com a escassez de água e com problemas decorrentes de poluição em diversas regiões: no Alto Tietê junto à região metropolitana; no rio Turvo; no rio Sorocaba, entre outros. (BRANCO, 2000; BRINCKMANN, 2005)
A Geografia das doenças relacionadas com a água.
Para Rebouças (2001) A sociedade global coloca-nos simultaneamente na complexa situação de cidadãos locais e planetários. Neste contexto, se não houver uma acentuada diminuição dos grandes desperdícios no uso da água - doméstico, industrial e agrícola - e uma substancial redução dos níveis de degradação da sua qualidade - pelo lançamento de esgotos domésticos e efluentes industriais não-tratados nos rios - o Brasil corre o risco de ser penalizado por suas práticas desleais de mercado, prejudicando o cidadão que mora nas cidades ou no meio rural.
Classificação ambiental das doenças infecto-parasitárias relacionadas com a água
1. Doenças Diretamente veiculadas pela água
2. Doenças transmitidas pela falta de limpeza e higienização com a água
3.Doenças transmitidas por insetos vetores que se relacionam com a água
4. Doenças transmitidas por vetores baseados na água
5. Doenças dispersadas pela água
- Transmitidas pela ingestão de água com a presença de patógenos (água, alimentos e bebidas):
- A água se constitui num habitat ou área de criadouro do inseto vetor da doença:
- Malaria, Dengue, Febre Amarela, Filariose
- A água é o habitat do patógeno ou hospedeiro intermediário que tem parte de seus ciclos de vida na água. Transmissão ocorre por ingestão ou contato com a pele:
- Leptospirose, Esquistossomose
- Patógenos infecta os seres humanos através do trato respiratório:
- Inalação, Legionella, Menigite
Fonte: Santos, 2005; Brinckmann, 2005.
O crescente agravamento da falta de água tem levado as pessoas a estabelecer uma nova forma de pensar e agir, inclusive mudando seus hábitos, usos e costumes. Essa forma de pensar e agir visa o crescimento econômico respeitando a capacidade dos recursos do meio ambiente, sobretudo a água. A conscientização e a educação do povo, do consumidor, são fundamentais. Racionalizar o uso da água não siginifica ficar sem ela periodicamente. Significa usá-la sem desperdício, considerá-la uma prioridade social e ambiental, para que a água tratada, saudável, nunca falte em nossas casas. (TV CULTURA, 2007).
Referências
e dicas para leitura:
COMITÊ PARDO - Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio
Pardo
Núcleo
de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento
de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica
do Rio Pardo - Comitê Pardo Boletim Informativo N.º 02/ Ano IX
- Fevereiro/2007
Geografia das águas e da
saúde no Brasil
Brinckmann,
Wanderleia E. (webrin@unisc.br) Profª do Departamento de História e Geografia
da UNISC, Doutora em Geografia pela Universidad de Murcia
- Espanha.
O Brasil é um país privilegiado no que diz respeito à quantidade de água. Sua distribuição, porém, não é uniforme em todo o território nacional.
O Brasil possui 18% da água doce disponível no mundo
14,4% na região amazônica
atende 5% da população
3,6% no resto do país
atende 95% da população
Fonte: Brinckmann, (2005, p.191).
A Amazônia, por exemplo, é uma região que detém a maior bacia fluvial do mundo. O volume d'água do rio Amazonas é o maior do globo, sendo considerado um rio essencial para o planeta. Essa é, também, uma das regiões menos habitadas do Brasil. Em contrapartida, as maiores concentrações populacionais do país encontram-se nas capitais, distantes dos grandes rios brasileiros, como o Amazonas, o São Francisco e o Paraná. E há ainda o Nordeste, onde a falta d'água por longos períodos tem contribuído para o abandono das terras e para a migração aos centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, agravando ainda mais o problema da escassez de água nessas cidades. (BRINCKMANN, 2005)
Os rios e lagos brasileiros vêm sendo comprometidos pela queda de qualidade da água disponível para captação e tratamento. Na Região Amazônica e no Pantanal, por exemplo, rios como o Madeira, o Cuiabá e o Paraguai apresentam contaminação pelo mercúrio, metal utilizado no garimpo clandestino. E nas grandes cidades esse comprometimento da qualidade é causado principalmente por despejos domésticos e industriais.
Se a bacia é ocupada por florestas nas condições naturais, essa água vai ter uma boa qualidade porque vai receber apenas folhas, alguns resíduos de decomposição de vegetais. É uma condição perfeitamente natural. Mas, se essa bacia começar a ser utilizada para a construção de casas, para implantação de indústrias, para plantações, então a água começará a receber outras substâncias além daquelas naturais, como, por exemplo o esgoto das casas e os resíduos tóxicos das indústrias e das substâncias químicas aplicadas nas plantações. Isso vai contribuir para que a água vá piorando de qualidade. Por isso ela deve ser protegida na fonte, na bacia. Essa água, depois, vai ser submetida a um tratamento para ser usada pela população. Mas, mesmo a estação de tratamento tem suas limitações. Ela retira com facilidade os produtos de uma floresta, de uma condição natural. Mas esgotos pioram muito, e a presença de substâncias tóxicas vai tornando esse tratamento cada vez mais caro. Acima de um certo limite, o tratamento nem mais é possível, porque existe uma limitação para a capacidade depuradora de uma estação de tratamento. Então, a água se torna totalmente imprestável. (BRANCO, 2000, p. 8) .
Esses problemas atingem também os principais rios e represas das cidades brasileiras, onde hoje vivem 75% da população.
Em Porto Alegre, o rio Guaíba está comprometido pelo lançamento de resíduos domésticos e industriais, além de sofrer as conseqüências do uso inadequado de agrotóxicos e fertilizantes.
Brasília, além de enfrentar a escassez de água, tem problemas com a poluição do lago Paranoá.
A ocupação urbana das áreas de mananciais do Alto Iguaçu compromete a qualidade das águas para abastecimento de Curitiba.
O rio Paraíba do Sul, além de abastecer a região metropolitana do Rio de Janeiro, é manancial de outras importantes cidades de São Paulo e Minas Gerais, onde são graves os problemas devido ao garimpo, à erosão, aos desmatamentos e aos esgotos.
Belo Horizonte já perdeu um manancial para abastecimento - a lagoa da Pampulha - que precisou ser substituído pelos rios Serra Azul e Manso, mais distantes do centro de consumo. Também no rio Doce, que atravessa os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, a extração de ouro, o desmatamento e o mau uso do solo agrícola provocam prejuízos enormes à qualidade de suas águas.
O Estado de São Paulo sofre com a escassez de água e com problemas decorrentes de poluição em diversas regiões: no Alto Tietê junto à região metropolitana; no rio Turvo; no rio Sorocaba, entre outros. (BRANCO, 2000; BRINCKMANN, 2005)
A Geografia das doenças relacionadas com a água.
Para Rebouças (2001) A sociedade global coloca-nos simultaneamente na complexa situação de cidadãos locais e planetários. Neste contexto, se não houver uma acentuada diminuição dos grandes desperdícios no uso da água - doméstico, industrial e agrícola - e uma substancial redução dos níveis de degradação da sua qualidade - pelo lançamento de esgotos domésticos e efluentes industriais não-tratados nos rios - o Brasil corre o risco de ser penalizado por suas práticas desleais de mercado, prejudicando o cidadão que mora nas cidades ou no meio rural.
Classificação ambiental das doenças infecto-parasitárias relacionadas com a água
1. Doenças Diretamente veiculadas pela água
2. Doenças transmitidas pela falta de limpeza e higienização com a água
3.Doenças transmitidas por insetos vetores que se relacionam com a água
4. Doenças transmitidas por vetores baseados na água
5. Doenças dispersadas pela água
- Transmitidas pela ingestão de água com a presença de patógenos (água, alimentos e bebidas):
- A água se constitui num habitat ou área de criadouro do inseto vetor da doença:
- Malaria, Dengue, Febre Amarela, Filariose
- A água é o habitat do patógeno ou hospedeiro intermediário que tem parte de seus ciclos de vida na água. Transmissão ocorre por ingestão ou contato com a pele:
- Leptospirose, Esquistossomose
- Patógenos infecta os seres humanos através do trato respiratório:
- Inalação, Legionella, Menigite
Fonte: Santos, 2005; Brinckmann, 2005.
O crescente agravamento da falta de água tem levado as pessoas a estabelecer uma nova forma de pensar e agir, inclusive mudando seus hábitos, usos e costumes. Essa forma de pensar e agir visa o crescimento econômico respeitando a capacidade dos recursos do meio ambiente, sobretudo a água. A conscientização e a educação do povo, do consumidor, são fundamentais. Racionalizar o uso da água não siginifica ficar sem ela periodicamente. Significa usá-la sem desperdício, considerá-la uma prioridade social e ambiental, para que a água tratada, saudável, nunca falte em nossas casas. (TV CULTURA, 2007).
Referências
e dicas para leitura:
- Água e Saúde”, “A Desinfecção da Água”, “A proteção das captações”, “Vazamentos e medidores”, folhetos da série “Autoridades Locais, Saúde e Ambiente”, editados pela OPAS. <www.cepis.ops-oms.org>, 2000.
- BRANCO, Samuel Murgel, Água, Origem, Uso e Preservação, Editora Moderna,1996.
- BRANCO, Samuel Murgel. A aventura de uma gota d'água. São Paulo: Moderna, 2000.
- BRINCKMANN, W. E.(2005). Paradigmas de la gestión de águas em España y Brasil. Estúdio Comparativo. Tesis doctoral. Programa de Doctorado Paisaje, Território y Medio Ambiente. Universidad de Murcia, Murcia, Espana. 636p.
- CARVALHO, Marília Sá, CRUZ, Oswaldo Gonçalves (1997). Análise espacial por microáreas: métodos e experiências. In: BARATA, Rita Barradas, BARRETO, Maurício Lima, ALMEIDA FILHO, Naomar, VERAS, Renato Peixoto (Orgs., 1997). Epidemiologia: contextos e pluralidade. . Rio de Janeiro: ABRASCO – Série Epidemiológica 4. p. 79-89.
- CORVALAN, Carlos (2005). Saúde e Ecossistemas na Avaliação Ecossistêmica do Milênio. Departamento de Proteção do Meio Ambiente Humano. Organização Mundial da Saúde - World Health Organization – Genebra. Brasília, 30 Março, 2005
- HARA, Massao. A Água e os seres vivos. São Paulo: Scipione, 1990. (O Universo da Ciência).
- MAGOSSI, Luis Roberto & BONACELLA, Paulo Henrique. Poluição das águas. 3a.ed. São Paulo: Moderna, 1991. (Desafios).
- MINAYO, M.C.S. & Miranda, A (Orgs., 2002). Saúde e ambiente sustentável: estreitando nós. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.
- REBOUÇAS, Aldo. Água e desenvolvimento Rural. Estud. av. vol.15 no.43 São Paulo Sept./Dec. 2001
- SANTOS, Johnny Ferreira dos. Oficina de Trabalho: “Segmentos Usuários - ampliando o debate sobre as águas brasileiras”. Painel 1 - Políticas Públicas: infra-estrutura atuação do Setor Saúde em Saneamento e Saúde Ambiental.Brasília, Junho/ 2005. Coordenador Geral de Engenharia Sanitária – DENSP/Fundação Nacional de Saúde / Ministério da Saúde
- VASCONCELOS, José Luiz. & GEWANDSZNAJDER, Fernando. Programas de saúde. 18a.ed. São Paulo: Ática, 1991.
- WWAP-UNESCO División de Ciencias del Agua (2006). El agua,una responsabilidad compartida. 2 ° Informe de las Naciones Unidas sobre el desarrollo de los recursos hídricos en el mundo. In: UN-WATER/WWAP/2006/3. y <www.unesco.org/water/wwap/index_es.shtml>.
- UNESCO. (2000). Declaración Ministerial de Haya sobre seguridad hídrica en el siglo 21. Foro Mundial del Agua. Haya, 22 de abril.
- UNESCO/WWAP. (2003). Agua para Todos, Agua para la Vida - Informe de las Naciones Unidas sobre el Desarrollo de los Recursos Hídricos en el Mundo. UNESCO/Mundi-Prensa Libros. Edición española. ISBN: 92-303881-5.
COMITÊ
DE GERENCIAMENTO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO
PARDO - Comitê Pardo
NÚCLEO DE PESQUISA E EXTENSÃO EM GERENCIAMENTO
DE RECURSOS HÍDRICOS - UNISC Sede: Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC
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COMITÊ
PARDO
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