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Núcleo de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo - Comitê Pardo

Boletim Informativo N.º 11/ Ano VIII - Novembro/2006

 

Fontes Alternativas de Energia - Biodiesel
Texto: Eduardo Teixeira Luz1

Ficou claro para o governo estadual e federal que o paradoxo utilizado no século XX terminou e o século XXI se inicia, com uma visão extremamente cautelosa onde, desenvolvimento desejável propõe uma conciliação entre o desenvolvimento e o crescimento econômico, sendo, simultaneamente, sensível à dimensão social, ambientalmente prudente e economicamente viável. Tornando excludente o método mais conhecido o "selvagem", que prioriza os custos sociais e impactos ambientais insuportavelmente altos. Conforme (SACHS, 2002), sabe-se que esse tipo de crescimento impulsionado pelo mercado é inaceitável dos pontos de vista social e ambiental, além de não estabelecer, por si só, uma situação empregatícia satisfatória.

Desenvolvimento Sustentável é aquele que permite às gerações presentes suprirem as suas necessidades, sem comprometer a capacidade das gerações futuras fazerem o mesmo.

O Brasil tem em suas mãos o privilégio de ter a flora mais linda e rica nesse mundo, então torna-se extremamente viável investir no Biodiesel. Pois é, uma alternativa aos combustíveis derivados do petróleo e, pode ser usado em carros e qualquer outro veículo com motor diesel. Fabricado a partir de fontes renováveis (girassol, soja, mamona), é um combustível que emite menos poluentes que o diesel.

Mamona e Biodiesel
Logo que os governantes viram a possibilidade de o Brasil tornar-se auto-sustentável no ramo de combustível através do biodiesel, procuraram-se informações sobre diversas foras de extrair esse óleo em plantações diversificadas e foi detectada: o gira-sol, soja e da mamona. Dentre essas três atividade esse boletim irá tratar em especial sobre a mamona, com foco na produção de biodiesel.A mamona é cientificamente denominada Ricinus Communis L., é planta da família euphorbiáceas.

A Planta da mamona
Tem raízes laterais e uma raiz principal que pode atingir 1,50 m de profundidade. As variedades cultivadas no Brasil podem ser de porte anão ou baixo (até 1,60 m), médio (1,60 a 2,00 m) ou alto (acima de 2,00 m).

Há também variedades com frutos deiscentes (quando maduro se abrem, deixando cair as sementes) e indeiscentes. O fruto é uma cápsula com espinhos, com três divisões e uma semente em cada uma.

A mamoneira desenvolveu-se nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste do Brasil. Nas regiões Sudeste e Sul, para se garantir a competitividade com outros produtos concorrentes tornou-se necessário o desenvolvimento de técnicas que facilitassem a mecanização e o desenvolvimento de variedades mais rentáveis. Deste modo tornou-se possível cultivar variedades anãs, cuja maturação ocorre aproximadamente ao mesmo tempo em todas as bagas. Isto permite colheita mecânica única anual.

Viabilidade da Mamona
Está mais do que claro entre os especialistas, dos setores empresarial, governamental e acadêmico, e é um ponto onde todos concordam, embora com algumas visões diferentes, que em um estágio inicial, a produção de mamona deve estar focada para a comercialização de óleo bruto, atendendo primeiramente a pequena demanda interna e em seguida o mercado externo. Embora no Brasil esteja caracterizado um mercado oligopsônico para o óleo de mamona, onde um pequeno excesso de oferta pode causar uma grande queda nos preços, o mesmo não se pode dizer do mercado internacional, que é ditado por uma série de fatores, os quais fizeram o preço se elevar desde 2004, devido principalmente à redução da safra americana de soja e o crescente aumento da importação de oleaginosas pela China.

Produção nacional de mamona
A cultura da mamona no Brasil experimentou um período de plena decadência na década de 90 e que a partir do lançamento de diversos programas, no âmbito de diferentes esferas governamentais, visando incentivar e aperfeiçoar a produção de biodiesel no país, apresenta sinais de recuperação.

Segundo dados do IBGE (2004), o Estado da Bahia é o principal produtor nacional de mamona com cerca de 149,5 mil hectares plantados na safra 2003/04 (90% da área total do país) e uma produção estimada de 134,9 mil toneladas (89% da produção nacional). Esses dados são um indicativo de que a produção brasileira de mamona está concentrada na Região Nordeste, especialmente no Estado da Bahia. Deve-se destacar, também, que a produção desse Estado concentra-se nas microrregiões de Irecê, Senhor do Bonfim, Jacobina, Seabra e Guanambi.

Dentre os programas que estão sendo implementados tem-se, em nível de Governo Federal, o "Programa Brasileiro de Desenvolvimento Tecnológico do Biodiesel - PROBIODIESEL", coordenado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e o "Programa Combustível Verde", coordenado pelo Ministério de Minas e Energia. Em nível estadual, diversos governos, notadamente dos Estados do Nordeste, estão desenvolvendo projetos que consistem no incentivo e apoio ao plantio e isenção de impostos para os produtos dessa cadeia produtiva. Em função desses incentivos a previsão é de que deve haver um crescimento do agro negócio da mamona no país.

Notas

¹ Acadêmico do curso de Engenharia Ambiental e bolsista do projeto “ Coleta seletiva e Sistemas de Compostagem no Campus da UNISC”.

 

Referências

SACHS, I. Repensando o crescimento econômico e o progresso social:o papel da política. In: ABRAMOVAY, R. et al. (Orgs.). Razões eficções do desenvolvimento. São Paulo: Editora Unesp/Edusp,2001

Textos sobre biodiesel, disponíveis em: <http//:www.biodieselbr.com>. Acessado em: 17/10/2006.

IBGE - (2004). Disponível em: < http//: www.ibge.gov.br>. Acessado em: 17/10/2006.

 

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