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Entende-se
que a produção florestal está atualmente
em grande desenvolvimento, pois envolve uma área
de conhecimento em preservação e conservação
de ecossistemas. Porém, o cultivo desta cultura
com espécies exóticas, atualmente, vem
sendo alvo de observações polêmicas,
geradas em relação à expansão
das áreas de plantio e aos impactos ambientais
daí decorrentes.
Introduzida no Brasil em 1904, a cultura do eucalipto
tinha como objetivo suprir as necessidades de lenha,
postes e dormentes das estradas de ferro na região
Sudeste. Nos anos 50 passou a ser produzido como matéria-prima,
principalmente para fábricas de papel e celulose.
Durante o período dos incentivos fiscais, na
década de 60, sua expansão foi ampliada,
perdurando até meados dos anos 80. Esse período
foi considerado um marco na silvicultura brasileira
dado os efeitos positivos que gerou no setor. Atualmente
o país tem cerca de 6 milhões de hectares
de produção florestal, sendo que 2,9 milhões
há com cultura de eucalipto, utilizada para produzir
pasta de celulose, carvão vegetal, resinas, etc.
Em um trabalho relacionado com o manejo inadequado dos
recursos hídricos na Ásia, destacou que
o eucalipto conduz à desertificação
pelo solapamento da produtividade biológica do
ecossistema vulnerável através de três
maneiras: a) a alta demanda de água da espécie
esgota a umidade do solo e destrói a recarga
da água subterrânea, desestabilizando o
ciclo hidrológico; b) a pesada demanda por nutrientes
cria um déficit anual enorme, desestabilizando
o ciclo de nutrientes; c) a liberação
de substâncias químicas alelopáticas
afeta o crescimento de plantas e de microorganismos
do solo, reduzindo, assim, ainda mais a fertilidade
do solo. As críticas, estão relacionadas
com o fato de que o eucalipto é plantado principalmente
na forma de monoculturas extensas, as quais são
caracterizadas por apresentar baixa diversidade ecológica.
Isso poderia, resultar em instabilidade ou vulnerabilidade
a mudanças climáticas, assim como ao ataque
de pragas e doenças.
Na Europa a introdução dessas "árvores
estranhas" despertou enorme sensação,
não apenas pela curiosidade geral, mas também
pela crença generalizada em seu poder milagroso
contra a malária e outras doenças. Já
no Brasil isto ocorreu de forma diferente, a partir
de 1871, diversas árvores foram plantadas nas
ruas e no jardim público da cidade de Vassouras,
no Estado do Rio de Janeiro, e em 1882, essas árvores
foram arrancadas pela população, que lhes
atribuía o aparecimento da febre amarela.
Na África no ano de 1887, com esta produção,
afirmou-se que "o clima daquele país estava
se tornando mais seco, e que nascentes outrora abundantes
encontravam-se agora minguadas, e que os cursos d'água
estavam transformando-se em intermitentes".
Em 1965, uma comissão especialmente formada para
estudar o problema chegou à conclusão
de que as plantações florestais cobriam,
na época, apenas de 9 a 14 por cento da região
de altos índices pluviométricos do país,
e que nenhum dos efeitos observados poderia ser concretamente
atribuído ao aumento da área plantada
com eucalipto no país.
Uma outra crítica contra o reflorestamento com
eucalipto diz respeito aos problemas sociais resultantes
da conversão de terras agrícolas em áreas
florestadas, que, de certa forma reduz a produção
de alimentos e os empregos. Esse aspecto social vem
sendo debatido acirradamente na Índia, por exemplo.
O problema social dos programas de reflorestamento pode,
obviamente, incluir uma ampla variedade de facetas,
as quais estão intimamente ligadas, às
condições culturais e sócio-econômicas
de cada país. Na Índia, a maior parte
das plantações florestais para fins de
abastecimento industrial é formada pelos Departamentos
Florestais Estaduais e por pequenos proprietários
rurais, muitos dos quais desistiram da agricultura para
se transformar em fazendeiros florestais. Em geral esses
fazendeiros recebem as mudas gratuitamente dos Departamentos
Florestais. Dessa forma, tal conversão de terras
agrícolas em plantações florestais
poderia, eventualmente, conduzir à escassez de
alimento.
Alega-se, que uma árvore de eucalipto pode consumir
cerca de 360 litros de água por dia. Num espaçamento
de 2x2 metros, isso equivaleria a uma evapotranspiração
diária de cerca de 90 milímetros. Supondo
tratar-se do valor correspondente ao pico da transpiração
diária, e que a média diária fosse
a metade desse valor, ainda assim a evapotranspiração
anual alcançaria a cifra astronômica de
16.425 milímetros.
O Brasil tendo uma demanda alta em madeira, vem se tornando
um dos maiores países exportadores no ranking
do mercado internacional de produtos florestais. No
entanto esse aumento da produção industrial
não encontra-se no mesmo ritmo de expansão
de áreas reflorestadas no país, acarretando
significativamente um problema, que no jardão
florestal, tem sido chamado de "apagão florestal",
analogia criada no começo desta década
para escassez de energia.
No entanto, cabe salientar que o impacto ambiental é
inevitável: em linhas gerais árvores exóticas
reduzem ou acabam com a biodiversidade da fauna e flora,
degradam os solos, passando a exigir altos índices
de agrotóxicos, contribuindo significativamente
para a concentração de terras, de capital
e renda. Vazios populacionais, conflitos com povos indígenas,
são algumas conseqüências, desta produção,
já visíveis no Espirito Santo. Os países
do "norte desenvolvido" não demonstram
muito interesse nas "novas tecnologias" de
ponta (dentro dos rigores ambientais) empregadas nas
economias "periféricas e emergentes".
Indagamos então: O monocultivo florestal, promove
que tipo de desenvolvimento e qual sua viabilidade?
Notas
¹ Este texto foi elaborado apartir de: LIMA, Walter
de Paula. Impacto Ambiental do Eucalipto. 2. ed. - São
Paulo: Editora da USP, 1996.; e EMBRAPA, disponível
em: www.embrapa.br . Acessado em 28/08/2006.
² Acadêmico do Curso de Engenharia Ambiental
e bolsista do projeto “ Gestão das Águas
dos rios Pardo e Pardinho, RS, Brasil: Desenvolvimento
Sustentável com Inclusão Social”.
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