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Núcleo de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo - Comitê Pardo

Boletim Informativo N.º 8/ Ano VIII - Agosto/2006

 

Biodiesel: alternativa energética e produtiva1
Texto: Liliana E. Cargnelutti2 (lilicarg@ibest.com.br)

O biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis e surgiu devido à necessidade de alternativas de energia, pois, o petróleo, o carvão e o gás natural são recursos limitados. Nesse sentido, essa busca deve-se também a crescente preocupação ambiental, visto que o uso do petróleo como fonte energética representa uma das maiores causas de poluição. O biodiesel é uma evolução na tentativa de substituição do óleo diesel mineral por um óleo produzido a partir de gorduras animais e óleos vegetais, óleos como o de girassol, pinhão manso, mamona, algodão, soja, canola, entre outros. Cabe salientar que quando criado o motor a diesel (1895), este foi apresentado na mostra mundial em Paris (1900) usando óleo de amendoim como combustível. Os baixos preços promoveram o petróleo na época. O Brasil mostra-se privilegiado, devido a sua grande biodiversidade, e a disponibilidade de oleaginosas, o que contribui para a implantação de um programa nacional de produção de biodiesel.

A utilização do biodiesel traz vantagens sociais, ambientais e econômicas. Vantagens sociais, porque pode promover a inclusão social ao gerar trabalho e renda para a agricultura familiar, com o cultivo de matérias primas, e a geração de empregos em outros setores, considerando-se então, a cadeia produtiva do biodiesel. No que diz respeito ao meio ambiente o biodiesel é um combustível renovável que diminui a emissão de poluentes, e conseqüentemente, a saúde pública é beneficiada, além do fato de que cultivo de oleaginosas pode ser realizado em áreas degradadas. Em escala considerável, podem-se conceber projetos que utilizem óleo vegetal residual (óleo de frituras) ou gordura animal que, de outro modo, causariam problemas em seu descarte para o meio ambiente. Do ponto de vista econômico, permite a contensão de gastos com o petróleo e o óleo diesel e apresenta-se como uma tendência que pode futuramente ser oferecida a comunidade mundial como produto de exportação.

A diversidade de solos e climas e a enorme experiência agrícola, colocam o Brasil como um dos mais importantes fornecedores de energia e fontes renováveis do mundo. A produção de oleaginosas no país, capazes de serem convertidas em biodiesel é significativa. Segundo dados do Ministério da Agricultura, temos cerca de 100 milhões de hectares disponíveis para a produção agrícola, descontadas áreas de proteção ou restrição ambiental, e áreas já cultivadas. A experiência brasileira com biodiesel teve início na década de 1970 e já dispomos do conhecimento tecnológico necessário para uma produção em escala comercial. Vale ainda destacar o exemplo da Alemanha, pois este país, é responsável por mais da metade da produção européia, e centenas de postos já vendem o biodisel puro, com a garantia dos fabricantes dos veículos, mostrando-se um mercado importantíssimo, de portas abertas
para o Brasil.

Na UNISC vem sendo desenvolvido, pelos departamentos de Química, Física e Engenharia Arquitetura e Ciências Agrícolas, há mais de um ano o projeto Oleoquímica: produção, extração, caracterização e transformação de óleos vegetais com ênfase na obtenção de biodiesel e aproveitamento de subprodutos. O presente estudo está trabalhando com as oleaginosas, girassol e amendoim, pois levando em conta as características da região, são as alternativas mais indicadas.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP) a soja pode ser a principal cultura agrícola a abastecer a produção de biodiesel no país nos próximos anos. A razão da preferência é a imensa quantidade produzida no Brasil e o fato da soja apresentar tecnologia mais desenvolvida, no momento, para atender a demanda.

A introdução do biodiesel no mercado representará uma nova dinâmica para a agroindústria. O biocombustível é misturado ao diesel derivado do petróleo e esta mistura é opcional mas será obrigatória no Brasil a partir de 2008, tendo em todo diesel vendido, 2% de combustível ecológico (chamado B2), percentual que subirá em 2013 para 5%, fórmula que é conhecida como B5 (e assim é nomeado sucessivamente até o biodiesel puro, B100).

O biodiesel coloca o Brasil em evidência no cenário mundial, pois trata-se de mais uma fonte limpa de energia renovável a somar a nossa matriz energética. Propostas como a desenvolvida pela UNISC, mostram-se como fundamentais para oferecer opções sincrônicas, desvinculadas dos atuais modelos produtivos.

 

Notas

¹ Este texto foi elaborado a partir de www.biodiesel.com.br e www.revistabiodiesel.com.br - acesso em julho de 2006.

² Acadêmica do Curso de Engenharia Ambiental e Bolsista do Projeto de Coleta Seletiva e Sistema de Compostagem do Campus da UNISC (lilicarg@ibest.com.br)

 

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