|
A
Agroecologia pode ser entendida, em linhas gerais como
ciência ou campo do conhecimento que oferece meios
para produção de uma agricultura sustentável.
Não pode ser confundida com uma forma de produzir,
que é o caso da agricultura orgânica, produção
em que são utilizados adubos e insumos fabricados,
em maior parte, dentro da propriedade familiar. (CAPORAL
e COSTABEBER, 2000).
A partir da década de1950 teve início
a "Revolução Verde", que implica
no uso indiscriminado de fertilizantes e agrotóxicos
de forma intensiva, nas lavouras, para uma efetiva produção
privilegiando os monocultivos. Após o Golpe Militar
de 1964 foi introduzido no Brasil, maciçamente,
este modelo de produção. É conhecida
como agricultura convencional por ser o estilo da maioria
dos produtores do mundo. Exige determinada quantidade
de capital contínuo, causando uma dependência
de tecnologias externas no processo produtivo. (AGUIAR,
1986). O fato é que o modelo de produção
convencional movimenta bilhões de dólares,
e mata milhares de pessoas por ano (PEREZ e ROSEMBERG,
2003).
Somente o lucro e o crescimento econômico, são
propostas de desenvolvimento "insustentáveis"
e cada vez mais isto está em evidência,
frente a sociedade. Atualmente discute-se como preservar
os recursos naturais para as presentes e futuras gerações,
a partir de um modelo de desenvolvimento economicamente
viável, socialmente justo e ambientalmente correto.
No Brasil desde a constituição da república
de 1988, está descrito no artigo 225 “Todos
têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público
e à coletividade o dever de defendê-lo
e preservá- lo para as presentes e futuras gerações".
Podemos interpretar o equilíbrio ambiental através
dos diversos ciclos que interagem e influenciam-se,
ou seja, que toda a intervenção neste
meio, irá gerar conseqüências, muitas
vezes negativas. Vale lembrar que a água antes
de mais nada é fundamental para a vida, é
finita, é pública, portanto todos têm
o direito de ter acesso e o dever de zelar por ela,
e uma vez que a agricultura gera alimento, logo, é
a base da humanidade, por isso a importância da
relação entre ambas.
O uso inadequado dos solos, pode gerar como efeitos
mais perceptíveis sobre as águas superficiais
a impermeabilização do solo e a erosão.
Isto provém da excessiva inserção
de fertilizantes e agrotóxicos para manter limpas
as superfícies cultivadas, sendo estas, lavadas
com as fortes chuvas, que levam a argila para dentro
do solo formando lajes duras, causando posteriormente
a impermeabilização e erosão. Os
resultados diretos são águas que levam
terras, agrotóxicos, plantas, tudo para dentro
dos rios, que turvam e inundam. Cabe salientar, via
de regra, que nas zonas de cultivos intensivos, os problemas
relacionados às águas subterrâneas,
também tem efeitos críticos, pois os metais
pesados presentes nos tóxicos agrícolas
despotencializam os lençóis freáticos
e ou, como resultado da impermeabilização
do solo, secam cacimbas e poços artesianos. (PRIMAVESI,
1998). Torna-se evidente, a necessidade de uma utilização
correta das áreas agrícolas, principalmente
as situadas próximo ao leito dos rios.
Neste sentido, estudos como "Análise e implantação
de sistemas de produção orgânicos
na região do Vale do Rio Pardo" desenvolvido
junto ao Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável
da UNISC, oferecem opções que proporcionam
tanto o desprendimento econômico-social, de modelos
até então impostos, como o equilíbrio
dos ciclos, mostrando-se como uma alternativa para a
construção de uma melhor harmonia entre
homem e natureza. Este trabalho de pesquisa e extensão,
teve início em 1998, sob a coordenação
da UNISC em parceria com as Secretarias Municipais da
Agricultura e Escritórios da EMATER, contando
tambem com o apoio do CNPq. A proposta foi contribuir
para a produção do conhecimento e desenvolvimento
tecnológico, voltados para a diversificação
dando ênfase a fruticultura, promovendo ao mesmo
tempo a proteção e conservação
da biodiversidade, bem como a saúde do agricultor
e do consumidor. Para tanto, foram implantadas frutíferas
em áreas de aproximadamente 0,5 ha, em propriedades
piloto, contemplando 46 agricultores familiares. Finalizado
em 2005, os resultados representam acima de tudo, segurança
aos que optaram pela diversificação e
um estímulo aos que se mostravam descrentes desta
possibilidade.
Pessoalmente posso relatar (por ter participado enquanto
bolsista deste significativo estudo) que é extremamente
válido o aprendizado proporcionado e gratificante
a retribuição e reconhecimento dos agricultores
e suas famílias, pessoas humildes que procuram
viver dignamente. O trabalho ao qual me refiro teve
o desafio oferecer possibilidades para a diversificação,
apontando atividades e modos alternativos de produção.
Notas
¹
Elaborado a partir de "Análise e implantação
de sistemas de produção orgânicos:
o caso da região do Vale do Rio Pardo",
relatório final, dez 2005.
² Aluno do Curso de Geografia UNISC e bolsista
PROBEX do projeto "Gestão das águas
na Bacia Hidrogr[afica do Rio Pardo" - Comitê
Pardo.
Referências
AGUIAR, Ronaldo C. Abrindo o pacote tecnológico.
São Paulo SP. Polis; Brasília DF. CNPq.
1986.
CAPORAL, Francisco R. e COSTABEBER, José A. Agroecologia
e desenvolvimento rural sustentável: perspectivas
para uma nova Extensão Rural. Agroecologia e
Desenvolvimento Rural Sustentável, v.1, n.1,
jan./mar. 2000.
PEREZ, Frederico e ROSEMBERG, Brani. É veneno
ou é remédio? Os desafios da comunicação
rural sobre agrotóxicos. In: PEREZ, Frederico
e MOREIRA, Josino C. É veneno ou é remédio?
Agrotóxicos, saúde e ambiente. Rio de
Janeiro - RJ. Fiocruz, 2003.
PRIMAVESI, Ana. Agroecologia: ecosfera, tecnosfera e
agricultura. São Paulo SP. Nobel, 1998.
|