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Núcleo de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo - Comitê Pardo

Boletim Informativo N.º 3/ Ano VIII - Março/2006

 

Mapa Hidrogeológico do
Rio Grande do Sul
Texto: Valéria Borges Vaz (val@unisc.br)

A partir da necessidade de conhecer e preservar os recursos hídricos subterrâneos, o Estado do Rio Grande do Sul realizou, através do Departamento de Recursos Hídricos um estudo que mostra que o sistema de aqüíferos subterrâneos está ameaçado pela exploração clandestina, pela poluição e pela falta de saneamento. O Mapa Hidrogeológico do Rio Grande do Sul é o resultado de três anos de pesquisa que aponta a extensão, a qualidade e a profundidade dos mananciais além de revelar os problemas decorrentes da exploração da água.

Há estimativa de que hoje existem mais de 20.000 poços de captação no Estado. Os lençóis de água subterrânea são ainda pouco conhecidos e mal aproveitados. No Rio Grande do Sul, existem dois tipos básicos de aqüíferos: poroso intergranular e poroso por fraturamento.

O Sistema Aqüífero Guarani ocupa mais de 55% da área do Estado do Rio Grande do Sul, apresentando grande diversidade de potencialidade e qualidade. Apresenta-se dividido em quatro grandes compartimentos em nível regional: Compartimentos Leste, Oeste, Central – Missões e Norte – Alto Uruguai.

O Compartimento Oeste apresenta grande potencialidade pela estrutura das unidades hidroestratigráficas, vazão e qualidade da água própria para todos os usos. O Compartimento Leste é o que apresenta menor potencialidade pela espessura das camadas aqüíferas e baixa vazão nos poços. As águas em geral apresentam boa qualidade.

O Compartimento Central – Missões possui uma potencialidade muito variável, com poços ora com boa vazão, ora improdutivos, devido ao condicionamento geológico – estrutural das camadas aqüíferas. Localmente pode apresentar aumento da salinidade das águas e presença de íons fluoreto, indesejáveis para o abastecimento público.

O Compartimento Norte – Alto Uruguai possui grande potencialidade devido ao seu condicionamento geológico – estrutural favorável. Entretanto, devido a grande profundidade em que se encontram as camadas aqüíferas, existem problemas de qualidade, como teores elevados de sulfatos, cloretos, flúor e gás sulfídrico. Devido a grande profundidade ocorrem em quase toda a área fenômenos de termalismo.

As piores condições de ocorrência de água subterrânea no Estado estão nas áreas de embasamento cristalino, rochas sedimentares – paleozóicas e formações permianas.

As águas subterrâneas do Estado são predominantemente bicarbonatadas. Quando os cátions dominantes são cálcio e magnésio, as águas estão associadas as áreas de recarga ou de pouco tempo de residência nos aqüíferos. A infiltração das águas se dá predominantemente pela precipitação pluviométrica. São águas de baixo pH e teor de sólidos totais dissolvidos.

As águas com cátion sódio dominante correspondem as áreas dos aqüíferos já próximos à região de descarga, portanto, com mais tempo de residência. Em geral, o pH é alcalino e os valores de sólidos totais dissolvidos são maiores. Águas oriundas do embasamento cristalino granítico, entretanto, podem ser bicabornatadas sódicas mesmo nas áreas de recarga.

As águas cloretadas correspondem às áreas de descarga ou de grande tempo de residência, quando associadas ao Sistema de Aqüífero Guarani e camadas aqüíferas permianas quando em grande profundidade. Geralmente, possuem pH alto, baixa dureza e elevado teor de sólidos totais dissolvidos. Os sistemas aqüíferos quaternários costeiros podem possuir águas cloretadas mesmo nas áreas de recarga.

Nos poços cadastrados, não foi encontrado um número significativo de problemas relacionados com a contaminação das águas subterrâneas, estando este problema restrito aos poços mal construídos e abandonados.

Problemas relacionados aos teores elevados de flúor estão restritos, geralmente, aos aqüíferos do embasamento cristalino e Sistema Aqüífero Guarani. Com exceção, dos aqüíferos com águas cloretadas e bicabornatadas com elevado teor de sólidos totais dissolvidos, as águas dos principais aqüíferos do Estado mostram boas condições de aproveitamento na irrigação.

O intervalo de precipitação pluviométrica varia entre 1200 e 2000 mm, o que indica um regime de chuvas apropriado para a recarga natural dos aqüíferos. A atividade de perfuração ainda é descontrolada e grande parte dos poços tubulares não possui registros litológicos, construtivos, de análises químicas e testes de bombeamento.

O cadastramento de 7.692 poços tubulares, com dados completos de localização, vazão, descrição litológica, perfil construtivo e análise química é um avanço no conhecimento da situação atual da perfuração de poços, além de ser importante fonte de informações para a gestão das águas subterrâneas no Estado.

Maiores informações sobre o Mapa Hidrogeológico do Rio Grande do Sul podem ser obtidas através dos sites: www.cprm.gov.br ou www.sema.rs.gov.br .

COMITÊ DE GERENCIAMENTO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO PARDO - Comitê Pardo
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