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A
partir da necessidade de conhecer e preservar os recursos
hídricos subterrâneos, o Estado do Rio
Grande do Sul realizou, através do Departamento
de Recursos Hídricos um estudo que mostra que
o sistema de aqüíferos subterrâneos
está ameaçado pela exploração
clandestina, pela poluição e pela falta
de saneamento. O Mapa Hidrogeológico do Rio Grande
do Sul é o resultado de três anos de pesquisa
que aponta a extensão, a qualidade e a profundidade
dos mananciais além de revelar os problemas decorrentes
da exploração da água.
Há
estimativa de que hoje existem mais de 20.000 poços
de captação no Estado. Os lençóis
de água subterrânea são ainda pouco
conhecidos e mal aproveitados. No Rio Grande do Sul,
existem dois tipos básicos de aqüíferos:
poroso intergranular e poroso por fraturamento.
O
Sistema Aqüífero Guarani ocupa mais de 55%
da área do Estado do Rio Grande do Sul, apresentando
grande diversidade de potencialidade e qualidade. Apresenta-se
dividido em quatro grandes compartimentos em nível
regional: Compartimentos Leste, Oeste, Central –
Missões e Norte – Alto Uruguai.
O
Compartimento Oeste apresenta grande potencialidade
pela estrutura das unidades hidroestratigráficas,
vazão e qualidade da água própria
para todos os usos. O Compartimento Leste é o
que apresenta menor potencialidade pela espessura das
camadas aqüíferas e baixa vazão nos
poços. As águas em geral apresentam boa
qualidade.
O
Compartimento Central – Missões possui
uma potencialidade muito variável, com poços
ora com boa vazão, ora improdutivos, devido ao
condicionamento geológico – estrutural
das camadas aqüíferas. Localmente pode apresentar
aumento da salinidade das águas e presença
de íons fluoreto, indesejáveis para o
abastecimento público.
O
Compartimento Norte – Alto Uruguai possui grande
potencialidade devido ao seu condicionamento geológico
– estrutural favorável. Entretanto, devido
a grande profundidade em que se encontram as camadas
aqüíferas, existem problemas de qualidade,
como teores elevados de sulfatos, cloretos, flúor
e gás sulfídrico. Devido a grande profundidade
ocorrem em quase toda a área fenômenos
de termalismo.
As
piores condições de ocorrência de
água subterrânea no Estado estão
nas áreas de embasamento cristalino, rochas sedimentares
– paleozóicas e formações
permianas.
As
águas subterrâneas do Estado são
predominantemente bicarbonatadas. Quando os cátions
dominantes são cálcio e magnésio,
as águas estão associadas as áreas
de recarga ou de pouco tempo de residência nos
aqüíferos. A infiltração das
águas se dá predominantemente pela precipitação
pluviométrica. São águas de baixo
pH e teor de sólidos totais dissolvidos.
As
águas com cátion sódio dominante
correspondem as áreas dos aqüíferos
já próximos à região de
descarga, portanto, com mais tempo de residência.
Em geral, o pH é alcalino e os valores de sólidos
totais dissolvidos são maiores. Águas
oriundas do embasamento cristalino granítico,
entretanto, podem ser bicabornatadas sódicas
mesmo nas áreas de recarga.
As
águas cloretadas correspondem às áreas
de descarga ou de grande tempo de residência,
quando associadas ao Sistema de Aqüífero
Guarani e camadas aqüíferas permianas quando
em grande profundidade. Geralmente, possuem pH alto,
baixa dureza e elevado teor de sólidos totais
dissolvidos. Os sistemas aqüíferos quaternários
costeiros podem possuir águas cloretadas mesmo
nas áreas de recarga.
Nos
poços cadastrados, não foi encontrado
um número significativo de problemas relacionados
com a contaminação das águas subterrâneas,
estando este problema restrito aos poços mal
construídos e abandonados.
Problemas
relacionados aos teores elevados de flúor estão
restritos, geralmente, aos aqüíferos do
embasamento cristalino e Sistema Aqüífero
Guarani. Com exceção, dos aqüíferos
com águas cloretadas e bicabornatadas com elevado
teor de sólidos totais dissolvidos, as águas
dos principais aqüíferos do Estado mostram
boas condições de aproveitamento na irrigação.
O
intervalo de precipitação pluviométrica
varia entre 1200 e 2000 mm, o que indica um regime de
chuvas apropriado para a recarga natural dos aqüíferos.
A atividade de perfuração ainda é
descontrolada e grande parte dos poços tubulares
não possui registros litológicos, construtivos,
de análises químicas e testes de bombeamento.
O
cadastramento de 7.692 poços tubulares, com dados
completos de localização, vazão,
descrição litológica, perfil construtivo
e análise química é um avanço
no conhecimento da situação atual da perfuração
de poços, além de ser importante fonte
de informações para a gestão das
águas subterrâneas no Estado.
Maiores informações sobre o Mapa Hidrogeológico
do Rio Grande do Sul podem ser obtidas através
dos sites: www.cprm.gov.br
ou www.sema.rs.gov.br
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