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Núcleo de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo - Comitê Pardo

Boletim Informativo N.º 1 e 2/ Ano VIII - Janeiro e Fevereiro/2006

 

Preservando as margens do Rio Pardinho
Texto: Dionei Minuzzi Delevati (dionei@unisc.br) Valéria Borges Vaz (val@unisc.br)

Com o intuito de preservar a mata ciliar do Rio Pardinho e minimizar a sua degradação, o Projeto de Preservação da Mata Ciliar do Rio Pardinho, que vem sendo desenvolvido desde 2004, pela Bayer CropScience Ltda. e a Universidade de Santa Cruz do Sul, com o apoio da Afubra e do Sindifumo, apresentam os resultados desta parceria que é pioneira na Região.

Este projeto está sendo desenvolvido na propriedade do Sr. Ademir Rodrigues Machado, nas proximidades do km 50, 9º Distrito de Santa Cruz do Sul e na área Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, o município de Santa Cruz do Sul, que encontra-se localizado no Baixo Pardinho apresenta um déficit de mata ciliar de 81,33%.

Na área do projeto foram plantadas 1500 mudas de espécies nativas, resistentes às geadas e tolerantes a inundações periódicas. Dentre as principais espécies plantadas se destacam: como o Angico - Parapiptademia Rigida (Benth) Brenan, Pitanga Vermelha – Eugenia Uniflora 2, Maricá – Mimosa Bimucreonata (DC.) O. Kuntze, Ingá Feijão – Inga Marginata Wild, Caroba – Jacaranda Micrantha Cham, Farinha Seca – Balfourodendron Riedelianum (Engler) Engler, entre outras.

O plantio das mudas ocorreram nos meses de janeiro e fevereiro de 2004 e houve um replantio de 250 mudas em junho de 2004, e outro replantio de 160 mudas durante o mês de julho de 2005, apresentando-se um total de 30% de replantio. Este percentual está acima dos 10% convencionalmente aceitos para projetos deste tipo, mas devido a época de plantio (janeiro de 2004) e pelas adversidades climáticas como a estiagem de 60 (sessenta) dias após o plantio constituindo-se na maior seca dos últimos cinqüenta anos ocorridas no Rio Grande do Sul e estiagem ocorrida novamente nos meses de janeiro e fevereiro de 2005, o índice de replantio pode ser considerado satisfatório.

A educação ambiental também foi um dos enfoques deste projeto. Foram agendados dias de campo na área do projeto com escolas de sete municípios da Bacia. Estas visitas são experiências fundamentais para o desenvolvimento da sensibilidade ambiental dos professores e alunos, principalmente em relação ao incentivo da preservação da mata ciliar, visto que a maioria dos visitantes residem em propriedades rurais, próximas as margens dos rios.

2004

Área com mudas recém plantadas e tutoras.
Área de preservação adotada corresponde a
30m de acordo com a legislação.

2005

Área em seu estágio de desenvolvimento atual e
área remanescente da mata ciliar.

No estudo de Atualização do Diagnóstico da Região Hidrográfica do Guaíba, realizado em 2003, pelo Programa Pró-Guaíba, foi calculado um déficit médio de mata ciliar de 75,4% para a Região Hidrográfica do Guaíba.

A Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, situada na Região do Vale do Rio Pardo, apresenta atualmente um déficit de mata ciliar de 62,71%, segundo estudos realizados pela Ecoplan Engenharia durante a elaboração do Diagnóstico da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, realizado em 2004 e 2005.

O grau de preservação das matas ciliares, em qualquer bacia hidrográfica, é considerado de fundamental importância como um indicador da qualidade dos ambientes associados aos recursos hídricos superficiais, levando em consideração as interações estabelecidas e as condições gerais dos recursos hídricos, tanto em termos de qualidade como de qualidade.

As principais causas da degradação das matas ciliares são: intensa utilização das margens dos rios e arroios para fins de agricultura e construção de estradas; mau uso do solo; desmatamentos; queimadas; entre outras. Com isso, verifica-se que o atulhamento da calha dos rios, o assoreamento e o desbarrancamento das margens são os principais problemas advindos da ausência de mata ciliar.

Dentre os fatores de importância ambiental da matas ciliares podemos destacar: o equilíbrio ecológico, pois as florestas permitem grande infiltração das águas de chuva, favorecendo a sustentação das nascentes durante a seca, cumprem a importante função de corredores de fauna e abrigo de animais silvestres, proteção de rios e das terras da propriedade, onde as matas ciliares protegem as barrancas dos rios e igarapés da força das águas, propiciam a formação de poços, e evitam o arraste de areia, argila e lixo para o leito dos rios, que causam o seu entupimento (assoreamento) e transbordamento. As matas criam ainda um micro-clima mais agradável e saudável, contribuindo a diminuição do efeito-estufa, um dos problemas climáticos de relevante preocupação mundial.

COMITÊ DE GERENCIAMENTO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO PARDO - Comitê Pardo
NÚCLEO DE PESQUISA E EXTENSÃO EM GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS - UNISC

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