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No
Brasil, e particularmente no interior do Estado do Rio
Grande do Sul, muitos municípios não dispõem de um sistema
público de abastecimento de água, sendo que os possuem,
limitam-se apenas à área urbana do município. Em virtude
disto, as comunidades que não dispõem de água tratada,
utilizam a água proveniente de sistemas alternativos
de abastecimento, como poços comunitários e fontes naturais.
Estudos de monitoramento ambiental visando à avaliação
da qualidade das águas superficiais e subterrâneas da
região dos Vales do Rio Pardo e Rio Taquari, RS, desenvolvidos
na Universidade de Santa Cruz do Sul, destaca a ocorrência de elevadas concentrações de flúor em
águas subterrâneas, da região, utilizadas principalmente
para o abastecimento público.
O
flúor tem
efeito direto sobre a saúde das populações abastecidas
por estas fontes, assim, o consumo de água com elevadas
concentrações de flúor, pode ocasionar em crianças,
a fluorose dental, e em concentrações extremas a fluorose
esquelética. Para contornar este problema de saúde pública,
o projeto de pesquisa intitulado "Desfluoretação Parcial
de Águas
Subterrâneas", visa o desenvolvimento de um sistema
eficiente e de baixo custo para desfluoretação parcial
destas águas até níveis permissíveis para o consumo
humano, conforme a Portaria no 518/04 do
Ministério da Saúde a qual estabelece concentrações
de flúor £ 1,5 mg L-1. Desta forma, o sistema proposto
consiste na utilização de carvão animal ativado como
meio adsorvente de íons fluoreto, o qual encontra-se
confinado em um módulo interno tipo refil, sendo o material
do filtro em PVC (figura 1).

O
sistema foi dimensionado para o abastecimento de água
de uma família de 5 pessoas, operando com uma vazão
de 170 L h-1, tratando 10 litros de água
diariamente. Para a avaliação da qualidade da água bruta
e tratada, foram monitorados parâmetros físicos, químicos,
biológicos e ecotoxicológicos.
Os
resultados obtidos na água tratada evidenciam a eficiência
do sistema proposto, na qual a figura 2 apresenta os
resultados do monitoramento de flúor na água tratada
por quatro filtros, (sendo os filtros 1, 2 e 3 contendo
3 L e o filtro 4 contendo 7 L de carvão animal) instalados
em um sistema de abastecimento com concentração de flúor
na ordem de 4,0 mg L-1.
Figura
2 - Representação gráfica do monitoramento
da concentração de flúor na água tratada.
Os resultados
físico-químicos preliminares indicaram que a água tratada
atende as recomendações da Portaria nº 518/04 do Ministério
da Saúde, para potabilidade de água. Contudo, um aumento
da concentração de sódio, fósforo total, potássio e
pH foi observado nas primeiras alíquotas coletadas,
o que facilmente pode ser contornado com a purga do
sistema. Quanto aos parâmetros biológicos e ecotoxicológicos
observa-se à ausência de coliformes termotolerantes
e toxicidade na água tratada.
Desta forma, os resultados apresentados
servirão de base para o dimensionamento definitivo dos
sistemas de adsorção de flúor, garantindo o fornecimento
contínuo e seguro de água às comunidades que utilizam
água subterrânea como fonte de abastecimento, constituindo-se
numa alternativa para erradicação da fluorose dental
na região.
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