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Núcleo de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo - Comitê Pardo

Boletim Informativo N.º 08/ Ano VII - Agosto/2005

 

O Enquadramento das Águas Superficiais da Bacia do Rio Pardo
Texto: Henrique Kotzian (hidricos@ecoplan.com.br)
Revisão:
Leonardo Flesch (leoflesch@yahoo.com.br)

 

O processo de elaboração do Plano da Bacia do Rio Pardo, em andamento desde junho de 2004, atingiu o estágio relativo à definição do futuro das águas da Bacia. Essa definição é denominada tecnicamente de enquadramento e se refere especificamente às águas superficiais. Enquadrar significa determinar padrões de qualidade para as águas superficiais da Bacia, conforme os usos futuros pretendidos. Pressupõe a divisão da rede hidrográfica em trechos e a associação com uma determinada quantidade de água (vazão de referência). O enquadramento é, então, um processo técnico baseado na aplicação da Resolução CONAMA 357/05, mas apoiado na participação social, visto que é a comunidade da Bacia que decide quais os usos futuros que pretende para as suas águas superficiais. Com base nesses usos futuros são determinadas as Classes de Uso (padrões de qualidade) conforme estabelecido na referida Resolução.

Na Bacia do Rio Pardo foi decidido que o processo de enquadramento deveria ser implementado através de três etapas seqüenciais (Encontros Municipais, Consultas Públicas e Reunião do Comitê) com o objetivo maior de determinar padrões de qualidade para as águas superficiais da Bacia, compatíveis e adequados com os usos futuros pretendidos. É importante destacar que a efetivação de uma proposta de enquadramento é responsabilidade do Comitê e que as etapas precedentes destina-se a subsidiar a tomada de decisão por parte dos seus membros. A figura a seguir demonstra a lógica perseguida com a estratégia proposta.

Inicialmente, com o objetivo de mobilizar a sociedade da Bacia e de realizar um exercício de escolha de usos futuros para as águas superficiais, foram realizados 11 encontros municipais, englobando os seguintes municípios: Barros Cassal, Boqueirão do Leão, Gramado Xavier, Lagoão, Passa Sete, Herveiras, Sinimbu, Vale do Sol, Candelária, Vera Cruz e Rio Pardo. Esses encontros ocorreram entre 1º e 12 de julho. Dos municípios que integram a Bacia do Rio Pardo, apenas Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul não foram contemplados com eventos nessa etapa de trabalho: o primeiro por apresentar pequena participação na Bacia e o segundo por ser o foco de diversos eventos de divulgação das ações do Plano e sede do Comitê. Nesses encontros municipais foram aplicados questionários perguntando quais os usos futuros pretendidos para as águas superficiais sendo possível escolher um ou mais trechos. Ao todo foram respondidas 440 questionários evidenciando a vontade das comunidades de utilizar as águas superficiais, preferencialmente, para o abastecimento humano, preservação das comunidades aquáticas, irrigação e lazer.

Na segunda etapa do processo de enquadramento, foram realizados três encontros regionais, denominados de Consultas Públicas, com o objetivo de conhecer, de forma participativa e aberta, as vontades da sociedade da Bacia quanto aos usos futuros de suas águas superficiais. A manifestação dessas vontades servirá de subsídio ao Comitê para a definição dos usos em cada trecho da Bacia, e, posteriormente, para a definição da proposta de enquadramento em Classes de Uso.

Entre os dias 9 e 18 de agosto, foram realizados os eventos em Candelária, Gramado Xavier e Santa Cruz do Sul. Ao todo participaram desses eventos 323 pessoas (81 em Candelária, 118 em Gramado Xavier e 124 em Santa Cruz do Sul). Ao final da Consulta Pública, cada participante podia escolher seis usos futuros para as águas superficiais e distribuí-los em três trechos (dois usos em cada trecho), colando adesivos coloridos em mapas da Bacia. Como resultado foram efetuadas 1.644 escolhas (ou adesivos), abrangendo todos os 14 trechos definidos para a Bacia e todos os 12 usos possíveis. Os trechos com maiores quantidades de escolhas (ou adesivos) foram: Alto Pardo, Baixo Pardinho e os dois trechos do Sub-Médio Pardo. Já os usos com maior percentual de escolha, de forma geral para a Bacia, foram: abastecimento humano (31,2%), irrigação de grãos (23,7%), recreação (10%), proteção de comunidades aquáticas (8,5%) e criação de animais (8,2%).

A etapa final do processo de enquadramento está prevista para ocorrer nos dias 13 de setembro e 11 de outubro, quando os membros do Comitê Pardo irão se reunir para, com base nos resultados das Consultas Públicas, nas suas próprias vontades e escolhas e nos preceitos estabelecidos pela Resolução CONAMA 357/05, aprovar uma proposta de enquadramento a ser encaminhada ao CRH e à FEPAM. Os técnicos vinculados à elaboração dos estudos estão configurando dois cenários futuros de enquadramento, com base nos resultados das Consultas Públicas, ou seja, estão transformando os usos futuros escolhidos para cada trecho em Classes de Uso (padrões de qualidade). Esses cenários serão apresentados aos membros do Comitê na Reunião Ordinária do dia 13 de setembro e a definição do cenário de enquadramento ocorrerá na Reunião Extraordinária do dia 11 de outubro.

Referências Bibliográficas:

:: Enquadramento: Plano Pardo. ECOPLAN ENGENHARIA, 2005.


 

 

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