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Núcleo de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo - Comitê Pardo

Boletim Informativo N.º 03/ Ano VII - Março/2005

 

Texto: Valéria Borges Vaz (val@unisc.br)

Há muitas décadas não se via uma estiagem com tantas perdas em nossa Bacia Hidrográfica. E essa cena se repete em várias Regiões do Estado do Rio Grande do Sul, com casos até mais extremos, o que fez com que 313 municípios gaúchos decretassem estado de emergência.

Dentre as áreas mais afetadas com a falta d'água estão a agricultura e a pecuária. Segundo um levantamento da Zero Hora, na Região do Vale do Rio Pardo, onde predomina a cultura do fumo as perdas chegam a 25% da produção e os municípios mais atingidos são Santa Cruz do Sul, Rio Pardo, Venâncio Aires e Vera Cruz. Além do fumo, as culturas de milho, soja e pastagens também contabilizam prejuízos irreversíveis.

Os rios também não deixam de mostrar o quanto a chuva está fazendo falta e o tamanho do descaso do homem em relação a preservação desses mananciais. Com a seca, torna-se mais visível o volume de lixos que circunda as margens dos rios, assim como desmatamento, o assoreamento e o uso indiscriminado da água.

Vários trechos do Rio Pardo e Rio Pardinho encontram-se com características muito distantes daquelas que costumamos a ver. Neste mês de março, a Ecoplan Engenharia Ltda., empresa responsável pela elaboração do Plano da Bacia do Rio Pardo, elaborou um documentário fotográfico da bacia do Rio Pardo, comparando a situação atual em relação à de dezembro de 2003. Em vários pontos do rio a situação é alarmante. O Arroio Andreas é o que se encontra no estado mais crítico em função da estiagem. Para conferir este documentário é só acessar a página do Plano da Bacia Pardo www.planopardo.com.br. Não deixe de conferir!!

A seca nos leva a refletir sobre a importância da água para a nossa vida, assim como alerta-nos sobre a nossa parcela de responsabilidade em relação ao equilíbrio do seu ciclo hidrológico. È cada vez mais urgente que a população esteja sensibilizada quanto ao uso desse recurso que é finito, para que só assim todos possam ter acesso à água de forma eqüanime.

Segundo a Lei Federal 9.433/97, a água é um recurso natural limitado e em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais. Portanto, os usos menos prioritários como lavagem de carros, rega de jardins, banhos prolongados, entre outros, devem ser evitados. Para substituir o uso da água potável para esses tipos usos podem ser adotadas medidas de reutilização da água, como exemplo do uso da água da máquina de lavar para limpeza de calçadas, carro, rega de plantas, entre outras.

Dentre estas destacamos algumas medidas que podem ser adotadas diariamente para reduzir o consumo de água potável:

Mantenha a torneira fechada quando não estiver realmente usando água, em situações como: escovar os dentes, lavar a louça, lavar as mãos, lavar as roupas;

Fique atento a vazamentos em encanações internas;

Conserte assim que identificado qualquer gotejamento ou fuga de água pela encanação;

Os vasos sanitários consomem 50% do consumo doméstico, por isso, regule as válvulas de descarga dos banheiros e evite dar descargas prolongadas

Use a máquina de lavar com capacidade máxima. Com isso você estará economizando água e energia. Tente não exagerar no sabão para não precisar de muitos enxágües;

Na hora de lavar os alimentos deixe a torneira fechada e lave frutas e legumes numa vasilha com água e vinagre. Depois passe-as na água corrente para terminar de limpá-las;

Para lavar louças utilize uma bacia com água e sabão, evitando assim o uso prolongado da torneira aberta.

Muitas vezes não utilizamos essas alternativas por falta de hábito e por acharmos que temos o direito de usar o quanto quisermos por pagarmos por ela. Porém, na verdade não pagamos ainda pelo uso da água, pagamos pelo seu sistema de tratamento e distribuição. Mas esta realidade já vem mudando há algum tempo no Brasil, onde a quantidade de água de qualidade é escassa a cobrança já teve seu início, como no caso de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.

Outro ponto importante a ser destacado é a existência de uma instância política para a gestão de recursos hídricos na Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, que é exercida através do Comitê Pardo. O Comitê tem a função de gerenciar os recursos hídricos da Bacia e na suas reuniões bimensais que são discutidos temas como qualidade e quantidade da água, planejamento da Bacia, enquadramento dos corpos d'água, usos, cobrança, ... Daí vem a fundamental da participação dos usuários da água, da população e do governo neste parlamento das águas.

E na Bacia do Pardo, por estarmos na fase de Planejamento da Bacia, essa participação torna-se fundamental para que se possa chegar a resultados mais justos possíveis, que venham satisfazer a todos. Essa participação pode ser efetuada através da participação nas reuniões do Comitê Pardo, assim como nas mais diversas atividades promovidas pelo Comitê, que podem ser acompanhadas através do site www.comitepardo.com.br ou diretamente em sua Sede, junto ao Núcleo de Recursos Hídricos da Unisc, Av. Independência, 2293, Bloco 1, Sala 105B. Além do Comitê Pardo, sugestões e informações podem ser obtidas no Portal do Plano, que fica na Rua Santos Dumont, 95, sala 11, Santa Cruz do Sul, fone 3719-5699.

Bom, agora é só participar!! Aguardamos contatos e contamos com a colaboração de todos nesta campanha de utilização consciente dos recursos hídricos e que esta também não dure apenas neste período de seca, e a nossa forma de preservar essa fonte de vida transforme-se em um hábito. Pois, para termos água de qualidade no futuro, dependerá muito de nossa atitudes, que seja qual for, fará muita diferença, por isso, precisamos preservá-la desde já. Assim, façamos cada um de nós a nossa parte!!!

 

COMITÊ DE GERENCIAMENTO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO PARDO - Comitê Pardo
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