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Núcleo de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo - Comitê Pardo

Boletim Informativo N.º 10/ Ano VI - Outubro/2004

 

Utilização de resíduos sólidos na construção civil

 

 

Texto: Leonardo Augusto Flesch (leoflesch@yahoo.com.br)
Revisão: Adriane Assis Lawisch (adriane@unisc.br), Igor Guilherme Kunrath (igorgk@pop.com.br) e Dionei Minuzzi Delevati (dionei@unisc.br)

 

Embora seja possível e prioritário reduzir a quantidade de resíduo durante a produção e até o pós-consumo, eles sempre são gerados. O fechamento do ciclo produtivo, gerando novos produtos a partir da reciclagem de resíduos, é alternativa insubstituível. Assim o desenvolvimento de tecnologias para reciclagem de resíduos ambientalmente eficientes e seguras, que resultem em produtos com desempenho técnico adequado e que sejam economicamente competitivas nos diferentes mercados é um desafio de fundamental importância.

Uma ampla variedade de resíduos, podem substituir os materiais convencionais, tanto por motivos econômicos, como ambientais. Essas razões estão levando a industria do setor a desenvolver e buscar alternativas para sua utilização na construção civil. Plásticos, vidros, vibras naturais, cinzas entre outros são exemplos de materiais que já estão sendo utilizados, como agregados ou misturados, na construção civil, abrindo assim um amplo campo para o desenvolvimento de novos materiais, com características físicas e mecânicas semelhantes ou melhoradas se comparada o os materiais convencionais.

Benefícios da reciclagem de resíduos da construção civil

No modelo atual de produção, os resíduos sempre são gerados seja para bens de consumo duráveis (edifícios, pontes e estradas) ou não-duráveis (embalagens descartáveis). Neste processo, a produção quase sempre utiliza matérias primas não renováveis de origem natural. Este modelo não apresentava problemas ate recentemente, em razão da abundância dos recursos naturais. Mas devido a uma serie de fatores (aumento populacional, aumento de pessoas nos centros urbanos entre outros), os resíduos da construção civil se transformaram em um grande problema urbano. A escassez de áreas de deposição dos resíduos, causado pela ocupação e valorização de áreas urbanas e também os altos custos sociais no gerenciamento dos resíduos.
Na verdade, sabe se que ações isoladas não irão solucionar os problemas advindo por este resíduo e que a indústria deve tentar fechar seu ciclo produtivo de tal forma que minimize a saída e a entrada de matéria-prima não renovável.
Desta forma a reciclagem na construção civil pode gerar inúmeros benefícios, como os citados abaixo:
-Redução no consumo de recursos naturais não renováveis, quando substituídos por resíduos reciclados;
-Redução de áreas para aterro, pela minimização do volume de resíduo pela reciclagem. Destaca-se ainda a necessidade da própria reciclagem dos resíduos de construção e demolição, representando mais de 50% da massa de resíduos gerados.
-Redução da poluição; por exemplo, da industria de cimento, que reduz a emissão de gás carbônico, utilizando a escoria de alto forno em substituição ao cimento Portland.



Impactos da reciclagem

A reciclagem de resíduo, assim como qualquer outra atividade humana, pode gerar impactos ao meio ambiente. Variáveis como o tipo de resíduo, a tecnologia empregada, e a utilização proposta para o material reciclado, podem tornar o processo de reciclagem ainda mais agressivo ao homem e ao meio ambiente do que o próprio resíduo antes de ser reciclado. Dependendo da sua periculosidade e complexidade, estes rejeitos podem causar novos problemas, como a impossibilidade de serem reciclados, a falta de tecnologia para seu tratamento e falta de lugar para dispô-lo. É preciso também considerar sua vida útil e a possibilidade de serem reciclados novamente.
Todo processo de reciclagem necessita de energia para transformar o produto ou tratá-lo de forma a torná-lo apropriado a ingressar novamente na cadeia produtiva. Tal energia dependera da utilização proposta para o resíduo e estará diretamente relacionado aos processos de transformação utilizados. E por fim muitas vezes é necessárias também matérias primas para modificá-lo fisicamente e/ou quimicamente.

Exemplos de resíduos empregados na construção civil

Vidro moído: Ao moer o vidro e analisar suas propriedades estruturais, encontra um mineral chamado feldspato. Esse mineral quando misturado aos componentes do bloco de concreto diminui seu tempo de fusão, podendo ainda usar o vidro fino na substituição da areia, elevando assim sua resistência á compressão.

Cinzas volantes: Proveniente da queima do carvão, a cinza volante quando adicionada como mineral em concretos de cimento Portland aumenta a durabilidade, a redução da fissura térmica e aumento da resistência.

Borracha do pneu: A borracha adicionada funciona como agente tenacificante e diminui a porosidade do material. Porem é importante o tratamento químico da borracha a modo de melhorar a interação da borracha com o concreto.

Vibrocimento vegetal: material alternativo para substituir o amianto na fabricação de telhas e caixas d'água. O novo composto é feito de uma mistura de cimento, resíduos siderúrgicos (escória) e fibras vegetais (de bananeira, sisal, coco, eucalipto ou outras plantas) e sintéticas.

Madeira plástica: É a mistura de plásticos geralmente PEBD, PEAD, PET, PVC e PP. Pode ser usada para confecção de mourões, cerca bancos de praça, postes, etc. Suas vantagens: não apodrece, não apresenta nós nem farpas, é resistente a água salgada e imune ao ataque de cupins e outros insetos. Sendo assim, apresenta qualidades superiores à madeira comum beneficiando a construção civil.

Pó de rocha reciclado: É possível fazer através da mistura homogênea substituindo o cal por esses resíduos. O produto final sai com a mesma qualidade ou até superior e o custo para a fabricação da argamassa também é reduzido, pois o pó é adquirido de graça.

 

 

Referências Bibliográficas:

  • JOHN, V. M. Reciclagem de resíduos na construção civil - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.

 

COMITÊ DE GERENCIAMENTO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO PARDO - Comitê Pardo
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