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Dentre
os problemas de saúde pública que o Estado
do Rio Grande do Sul enfrenta, destaca-se a leptospirose,
doença que vem se consolidando cada vez mais,
quer como zoonose quer como problema de saúde
pública. Os prejuízos decorrentes da doença
devem-se a alta incidência e a letalidade dos
casos. Ela é uma zoonose de ampla distribuição
geográfica, que acomete os animais e o homem,
é causada pelo espiroqueta do gênero Leptospira,
podendo variar desde uma forma inaparente até
a forma mais grave, que pode levar o paciente à
morte. A sua distribuição é cosmopolita,
ocorrendo em zonas rurais e urbanas.
Os reservatórios e portadores da leptospirose
são os animais domésticos e silvestres.
Os roedores desempenham o papel mais importante na transmissão
da doença, uma vez que são portadores
sadios e eliminam as bactérias vivas no meio
ambiente, contaminando, assim, o solo, água e
alimentos. Entretanto alguns animais domésticos,
tais como bovinos, suínos, eqüinos, ovinos
e caprinos também são importantes reservatórios.
Dentro deste contexto, Santa Cruz do Sul destaca-se
com um dos maiores índices de contaminação
na região. É o que mostra a pesquisa que
vem sendo desenvolvida há três anos na
Unisc. Os resultados coletados desde março à
dezembro de 2003 apontaram para uma contaminação
animal de 53%, evidenciando um aumento de 13% em relação
ao índice registrado no ano de 2002.
O projeto tem como objetivo o auxílio na prevenção
e tratamento da doença. O trabalho é feito
a partir de visitação domiciliar nas propriedades
onde ocorreu casos de contaminação humana,
e com a devida autorização dos proprietários
é realizado a coleta sangüínea de
caninos, bovinos e suínos, pois existe a possibilidade
destes animais estarem contaminados com a bactéria
e transmiti-la aos seres humanos. É feito a análise
do material e caso seja confirmado a contaminação,
o proprietário é alertado para procurar
o tratamento veterinário dos animais. As palestras
em escolas e as orientações prestadas
às famílias da zona rural e urbana diminuem
as dúvidas com relação a doença,
conscientizando as pessoas com os devidos cuidados a
serem tomados para evitarem a contaminação.
Paralelo a estas atividades é feito o Inventário
de Risco Ambiental, que consiste no estudo das propriedades
atingidas, baseado em um levantamento fotográfico
que aponta possíveis focos de contaminação.
Ainda, considerando os inúmeros casos de leptospirose
em vários municípios que compõem
a Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, registrados
pela 13ª Coordenadoria Regional de Saúde
sediada no Município de Santa Cruz do Sul, justifica-se
a necessidade em dar continuidade às atividades
de prevenção da doença e repasse
de informações atualizadas a população
sobre os sintomas e os riscos de contaminação.
Esta
pesquisa é realizada pelo Laboratório
de Leptospirose da Unisc que está vinculado ao
Departamento de Biologia da Unisc, em parceria com a
EMATER, Secretaria Municipal de Saúde de Santa
Cruz do Sul, 13ª Coordenadoria Regional de Saúde
e IPVDF (Instituto de Pesquisas Veterinárias
Desidério Finamor) localizado em Eldorado do
Sul.
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