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A
água é um dos recursos mais preciosos
da natureza e exemplo disso está na Região
do Vale do Rio Pardo. A água é essencial
para o uso agrícola e industrial, bem como para
o transporte de produtos e geração de
energia elétrica. Apesar de ser fundamental nas
atividades básicas da população
da região (preparo de comidas, bebidas, limpeza,
entre outros), ainda não é usual a valoração
deste recurso para a comunidade local.
Atualmente existem duas abordagens mais comuns para
este problema: uma estimação direta do
valor deste recurso, avaliando o quanto as pessoas estariam
dispostas a pagar pelo uso da água e uma estimação
indireta, pela qual se observam os produtos e serviços
ofertados na região que necessitam da água
para produzir e identifica-se o quanto a população
estaria disposta a pagar por estes bens e produtos finais.
Para
ambos caminhos que identificam o valor econômico
total da água é necessário identificar
o valor de uso da água e o valor referente à
manutenção dos recursos para as próximas
gerações. No primeiro grupo inclui-se
o valor de uso direto (produção agrícola,
industrial e energética), outros benefícios
relacionados com recreação, manutenção
da paisagem e estética e o valor devido à
funções ecológicas (controle de
enchentes, armazenagem, diversidade ecológica,
entre outras). No segundo grupo inclui-se o valor atribuído
pela população em função
dos benefícios concedidos às próximas
gerações e usos futuros potenciais para
o recurso em questão.
A importância de valorar este recurso deve-se
ao fato da população, em termos gerais,
apenas pagar pelos custos associados à extração,
transporte, tratamento e distribuição
da água, não incluindo os demais pontos
apresentados acima. Desta forma, o valor da água
a ser cobrado da população deve ser equivalente
ao preço que a comunidade está disposta
a pagar por todos os bens e serviços que necessitam
de água no seu processo.
Basicamente, para chegarmos à determinação
deste preço é necessário, primeiramente,
estimar a demanda e a oferta de água pela comunidade
da Região do Vale do Rio Pardo. A demanda descreve
o quanto as pessoas estão dispostas a pagar por
várias quantidades de água, sinalizando
via preços as preferências dos consumidores
em relação à água. Por outro
lado, a oferta descreve a relação entre
as diversas possibilidades de produção
e venda de água com os preços recebidos
para a manutenção destes serviços.
Como segundo passo para determinar o valor da água,
é necessário estimar o máximo benefício
líquido para sociedade, que pode ser quantificado
em moeda corrente a partir da soma dos excedentes dos
produtores e consumidores da região. Com isto,
teríamos a quantidade a ser produzida e os preços
médios a serem cobrados dos consumidores.
Obviamente, como qualquer recurso natural existiriam
gargalos a serem identificados neste processo para que
fosse possível chegar a um preço ótimo
para água. Entre eles destacam-se aspectos como
sazonalidade de oferta e demanda pela água, qualidade
da água demandada pela população,
nível de importância dos recursos naturais
para a comunidade local e os aspectos relacionados com
estocagem de água (determinados em função
do regime de chuvas).
É importante salientar que o mercado de água
na região ainda não foi definido em função
principalmente das dificuldades em mensurar algumas
variáveis no mercado e ao desrespeito aos direitos
de propriedade. Em relação ao primeiro
ponto, a parte mais difícil está em identificar
o quanto a população valoriza os seus
recursos hídricos e o quanto estaria disposta
a pagar por eles. O segundo ponto salienta os conflitos
de interesses, pois existem grupos e indivíduos
que obtêm maiores ganhos poluindo e utilizando
água de forma irregular.
Por último, também é relevante
acrescentar a importância de mensurar o valor
econômico da água como uma forma de incentivar
o uso eficiente dos recursos naturais disponíveis
no presente e de manter estes recursos para as próximas
gerações. O uso correto (eficiente) da
água no presente determinará o futuro
da região, colocando-a no rumo do desenvolvimento
sustentável.
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