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Núcleo de Pesquisa e Extensão em Gerenciamento de Recursos Hídricos
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo - Comitê Pardo

Boletim Informativo N.º 01/ Ano VI - Janeiro/2004

 

O Valor Econômico da Água
Texto: Augusto Mussi Alvim (mussi@ufrgs.br) e Leonardo Xavier (lxavier@tutopia.com.br)
Revisão: Ana Paula Machado (aninha_bio82@yahoo.com.br) e Morvan Kaercher (morvan@click21.com)

A água é um dos recursos mais preciosos da natureza e exemplo disso está na Região do Vale do Rio Pardo. A água é essencial para o uso agrícola e industrial, bem como para o transporte de produtos e geração de energia elétrica. Apesar de ser fundamental nas atividades básicas da população da região (preparo de comidas, bebidas, limpeza, entre outros), ainda não é usual a valoração deste recurso para a comunidade local.

Atualmente existem duas abordagens mais comuns para este problema: uma estimação direta do valor deste recurso, avaliando o quanto as pessoas estariam dispostas a pagar pelo uso da água e uma estimação indireta, pela qual se observam os produtos e serviços ofertados na região que necessitam da água para produzir e identifica-se o quanto a população estaria disposta a pagar por estes bens e produtos finais.

Para ambos caminhos que identificam o valor econômico total da água é necessário identificar o valor de uso da água e o valor referente à manutenção dos recursos para as próximas gerações. No primeiro grupo inclui-se o valor de uso direto (produção agrícola, industrial e energética), outros benefícios relacionados com recreação, manutenção da paisagem e estética e o valor devido à funções ecológicas (controle de enchentes, armazenagem, diversidade ecológica, entre outras). No segundo grupo inclui-se o valor atribuído pela população em função dos benefícios concedidos às próximas gerações e usos futuros potenciais para o recurso em questão.

A importância de valorar este recurso deve-se ao fato da população, em termos gerais, apenas pagar pelos custos associados à extração, transporte, tratamento e distribuição da água, não incluindo os demais pontos apresentados acima. Desta forma, o valor da água a ser cobrado da população deve ser equivalente ao preço que a comunidade está disposta a pagar por todos os bens e serviços que necessitam de água no seu processo.

Basicamente, para chegarmos à determinação deste preço é necessário, primeiramente, estimar a demanda e a oferta de água pela comunidade da Região do Vale do Rio Pardo. A demanda descreve o quanto as pessoas estão dispostas a pagar por várias quantidades de água, sinalizando via preços as preferências dos consumidores em relação à água. Por outro lado, a oferta descreve a relação entre as diversas possibilidades de produção e venda de água com os preços recebidos para a manutenção destes serviços.
Como segundo passo para determinar o valor da água, é necessário estimar o máximo benefício líquido para sociedade, que pode ser quantificado em moeda corrente a partir da soma dos excedentes dos produtores e consumidores da região. Com isto, teríamos a quantidade a ser produzida e os preços médios a serem cobrados dos consumidores.

Obviamente, como qualquer recurso natural existiriam gargalos a serem identificados neste processo para que fosse possível chegar a um preço ótimo para água. Entre eles destacam-se aspectos como sazonalidade de oferta e demanda pela água, qualidade da água demandada pela população, nível de importância dos recursos naturais para a comunidade local e os aspectos relacionados com estocagem de água (determinados em função do regime de chuvas).

É importante salientar que o mercado de água na região ainda não foi definido em função principalmente das dificuldades em mensurar algumas variáveis no mercado e ao desrespeito aos direitos de propriedade. Em relação ao primeiro ponto, a parte mais difícil está em identificar o quanto a população valoriza os seus recursos hídricos e o quanto estaria disposta a pagar por eles. O segundo ponto salienta os conflitos de interesses, pois existem grupos e indivíduos que obtêm maiores ganhos poluindo e utilizando água de forma irregular.

Por último, também é relevante acrescentar a importância de mensurar o valor econômico da água como uma forma de incentivar o uso eficiente dos recursos naturais disponíveis no presente e de manter estes recursos para as próximas gerações. O uso correto (eficiente) da água no presente determinará o futuro da região, colocando-a no rumo do desenvolvimento sustentável.

COMITÊ DE GERENCIAMENTO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO PARDO - Comitê Pardo
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